A inflação futura na visão otimista do Banco Central

O Relatório de Inflação, do Banco Central (BC), em sua edição de dezembro prognostica uma inflação de 6,5% neste ano, que poderia cair para 4,7% em 2012. É o que se lê nas 25 páginas de análises do documento.

O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2011 | 03h06

É bom destacar que o Banco Central reduziu, de novo, sua estimativa de crescimento do PIB, que neste ano cairia de 3,5% para 3% - queda que teria origem numa desaceleração da taxa de inflação deste ano.

Em 2011 dois fatores pesaram: os preços administrados e monitorados, com 6,27% em 12 meses até novembro, e os preços livres, com 6,79%, sob pressão dos preços dos serviços (alta de 8,48%). Merece ser mencionado que o IGP-DI, que influi bastante na formação de alguns preços monitorados, acusou redução em 2011, em relação ao ano anterior.

Com o crescimento de 4% (inferior a 2010) da demanda doméstica e com uma moeda ainda excessivamente valorizada, podia-se esperar uma inflação menor. Expectativa frustrada, no entanto, pela alta do preço das commodities. O relatório está dando, aliás, grande importância à crise nos países desenvolvidos, pelas dificuldades enfrentadas pelo Brasil neste ano.

Ao examinar como pode evoluir a inflação em 2012, o documento do Banco Central reconhece que "há resistências importantes à queda da inflação no Brasil" e que uma "outra fonte de risco reside no comportamento das expectativas de inflação". Apesar disso, mostra-se otimista em relação ao próximo ano, prevendo que a inflação possa ficar em 4,7%, muito perto do centro da meta. No primeiro trimestre ficaria, ainda, em 5,7%, no acumulado de 12 meses, reduzindo-se nos trimestres seguintes.

Essa expectativa se baseia numa taxa cambial de R$ 1,80, numa taxa Selic de 11% e numa projeção de 4% dos preços administrados.

Porém, levam-se em conta também alguns riscos, como o dos reajustes salariais, que repassariam o peso da inflação passada e sofreriam influência das dificuldades encontradas num mercado de trabalho de pleno emprego; o do descasamento entre a demanda e a oferta; e o do aumento de preço das commodities.

É interessante, também, que o BC se refere a uma possível redução da taxa Selic, que no último trimestre de 2012 poderia ser de 9,50%, porém no 4.º trimestre de 2013 apresentaria uma média de 10,35%. Isso mostra pelo menos que o Comitê de Política Monetária poderá elevar a taxa básica de juros, indicando, deste modo, que a política monetária não foi abandonada.

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