A inflação não dá sinais de trégua

Acompanhada com lupa pelos analistas, a inflação oficial medida pelo IPCA não deu sinais favoráveis na apuração de 15 de abril: atingiu 1,07%, perto do topo das expectativas dos agentes econômicos (1,10%). Se não há dúvida de que o índice cheio do mês será menor, é indesmentível o desconforto com a inflação de 8,22% em 12 meses, 26% acima do teto de tolerância do regime de metas (6,5%) e quase 83% acima do centro da meta (4,5%), além de ser a maior para o mês em 12 anos.

O Estado de S.Paulo

22 Abril 2015 | 02h05

De fato, em apenas três meses e meio a inflação acumulada no ano atingiu 4,61% e já superou o centro da meta. É um resultado ruim o bastante para impedir qualquer leniência na política monetária. Em outras palavras, o índice torna mais provável que a taxa básica de juros volte a ser elevada em 0,5 ponto porcentual na reunião do Copom marcada para dias 28 e 29 próximos. E, se a marca se confirmar, a taxa básica chegará a 13,25% ao ano.

Os preços da energia elétrica lideraram as altas e responderam por 45% do IPCA-15, elevando o item habitação a 3,66%. A inflação dos alimentos e bebidas avançou 1,04% e pesou 24% no índice.

Especialistas consultados pelo serviço noticioso Broadcast, da Agência Estado, preveem que a inflação deste mês atinja entre 0,65% e 0,91%, mais do que o 0,55% de abril de 2014. No pior momento do ano, o IPCA poderá estar rondando os 9%, antes de retomar a tendência descendente.

A força da inflação é inegável: o índice de difusão supera os 70% e é muito elevado, mostrando o grau de disseminação dos reajustes de preços. Um bom exemplo das dificuldades de segurar o IPCA está nos serviços, que acusam uma inflação de 8,44% em 12 meses, em contraste com a desaceleração real das receitas, exibida na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE.

Agrava-se, assim, o problema do baixo ritmo da atividade. Este depende da recuperação da capacidade de consumo das famílias, cujas rendas são afetadas negativamente pela inflação e pela alta de juros. É o pior momento para a economia - e não parece próximo do fim, pois algumas pressões sobre os preços não deverão cessar, como é o caso dos produtos alimentícios. Tampouco as oscilações acentuadas do câmbio deverão ter um efeito favorável, via diminuição dos preços dos bens importados.

A inflação é mais resistente do que previam os especialistas do Banco Central, o que poderá manter os juros em níveis altos por muito mais tempo do que o desejável.

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