Rodrigo Carvalheiro|Estadão
Rodrigo Carvalheiro|Estadão

'A inflação não é ruim só para mim'

Florista Luis Mario Terminiello não pode aumentar preço das flores

Rodrigo Carvalheiro/CORRESPONDENTE EM BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 21h10

O florista Luis Mario Terminiello tem 56 anos e uma preocupação, a inflação. A taxa anual, na casa dos 14%, segundo dados oficiais do governo argentino, e na dos 25%, segundo consultorias independentes, é compensada por reajustes chamados de paritárias, negociados pelos sindicatos de trabalhadores.

Como vendedor autônomo na banca de flores que herdou do pai na Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, ele não conta com esse gatilho salarial que ronda os 30% – são em geral um pouco maiores para as categorias aliadas do kirchnerismo.

Ele também não pode aumentar o preço das flores, cultivadas nas cidade de Escobar e La Plata. Outro complicador para Terminiello é que ele nunca sabe quanto venderá. Em alguns dias vende cinco ramos de flores e, em outros, 30.

Se eu aumentar em 30% o preço de um lírio que hoje custa 40 pesos (R$ 15) ninguém compra. A inflação não é ruim só pra mim, mas somos os mais prejudicados”, reclama, com certo conformismo e bom humor. “Costumo subir os preços um pouco para as festas, quando há mais demanda, mas depois volto a baixar.”

Os ramos de flores mais baratos que Terminiello vende custam 10 pesos (R$ 4). Uma dúzia de rosas sai por 100 pesos (R$ 40).

Ele lembra dos anos de 2008 e 2009, no meio do primeiro mandato de Cristina Kirchner, como os melhores da última década. “O dólar estava estável e estávamos todos bem. A melhor economia é um mercado estável. Para mim, e acho que para todas as atividades.”

Nas eleições da semana passada, ele votou em Mauricio Macri.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.