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A internet em 2017

Se há uma lição que a história da web deixa é que nenhuma tendência tem durado

Pedro Doria, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2017 | 05h00

Gina Smith, uma das mais experientes jornalistas de tecnologia americanas, compilou no site aNewDomain um incrível conjunto de estatísticas a respeito da internet neste início de 2017. Todos os números mais recentes, que desenham um panorama do estado da rede e indicam para onde caminhamos, quais as tendências. Há, até, algumas surpresas: o número de sites, por exemplo, está em queda.

Somos, hoje, 3,7 bilhões online. E a rede é principalmente asiática: 49,6% de seus habitantes vive no maior dos continentes. Os europeus vêm em segundo, com 17% e nós, latino-americanos, em terceiro, com 10,7%.

Ao final de 1995, quando a internet comercial explodiu, apenas 1% da população estava online. Para chegar ao primeiro bilhão, demorou dez anos. O segundo bilhão veio na metade deste tempo, em 2010. O terceiro, em 2014. Mas o ritmo de crescimento da população digital vem diminuindo. Chegou a quase 12% ao ano em 2012, mas, entre 2015 e 16, cresceu apenas 7,5%.

Dois pontos explicam esta diminuição do ritmo. O primeiro é que a infraestrutura é cara e já foi minimamente construída nos grandes centros urbanos. Conforme vai se espalhando por regiões menos habitadas, o processo se torna mais lento. Há uma segunda questão: de acordo com os números mais recentes compilados pelo instituto Pew, 56% da população mundial é de baixa renda e, 15%, pobre. A baixa renda não necessariamente exclui ninguém da rede, principalmente via celular. Mas é um limitador.

Não é à toa, portanto, que neste momento no qual praticamente metade de nós estamos online, o crescimento ocorra nas plataformas móveis. A média global é de que 39% do tráfego se dá em celulares. Nos EUA, porém, corresponde a 22%. O país campeão é a Nigéria: 82% do fluxo de dados ocorre na palma da mão, seguido de África do Sul, Indonésia e Índia. Quanto mais pobre a população, mais móvel.

Mas é no declínio do número de sites que está a informação mais reveladora. Existem 966 milhões contra mais de 1 bilhão ao final de 2014. Outros dados explicam o que ocorre. Onde há maior crescimento na rede, hoje, é no número de pessoas que acessam redes sociais via celular: 17%. O uso de redes sociais cresceu 10%, mas principalmente dentre quem o faz pelo mobile.

Há menos sites pois as pessoas frequentam menos sites. Em algumas áreas, como a dos blogs pessoais, a queda é nítida. Depois de uma tendência de alta que durou boa parte da primeira década do século, blogs foram sendo substituídos pelas páginas de perfil no Facebook e Instagram.

Até o perfil de navegação em sites se transformou. Se antes o acesso direto e via plataformas de busca era a regra, agora quem assume a liderança são as redes sociais. É de lá que saem boa parte das visitas a websites. E este acesso tem uma característica menos profunda: o visitante, após ler o que há do outro lado do link, clica no botão voltar. Principalmente no caso do Facebook, a aposta é numa rede fechada que pouco se comunica com o exterior.

Mas, se há uma lição que a história de vida da internet comercial deixa nestes 22 anos, é que nenhuma tendência tem durado. De sites estáticos e nada interativos passamos à era dos sites pessoais cheios de comentários. Destes para os sites montados em bancos de dados e aí para as redes sociais. A cada cinco anos, tudo é diferente neste mundo digital.

É possível que alguma hora a coisa comece a se estabilizar. Que a internet pare de se transformar e as mudanças comecem a vir aos poucos. Ou não. De certo só dá para afirmar uma coisa: por enquanto, o tempo ainda é de mudanças intensas.

Se há uma lição que a história da web deixa é que nenhuma tendência tem durado

Gina Smith, uma das mais experientes jornalistas de tecnologia americanas, compilou no site aNewDomain um incrível conjunto de estatísticas a respeito da internet neste início de 2017. Todos os números mais recentes, que desenham um panorama do estado da rede e indicam para onde caminhamos, quais as tendências. Há, até, algumas surpresas: o número de sites, por exemplo, está em queda.

Somos, hoje, 3,7 bilhões online. E a rede é principalmente asiática: 49,6% de seus habitantes vive no maior dos continentes. Os europeus vêm em segundo, com 17% e nós, latino-americanos, em terceiro, com 10,7%.

Ao final de 1995, quando a internet comercial explodiu, apenas 1% da população estava online. Para chegar ao primeiro bilhão, demorou dez anos. O segundo bilhão veio na metade deste tempo, em 2010. O terceiro, em 2014. Mas o ritmo de crescimento da população digital vem diminuindo. Chegou a quase 12% ao ano em 2012, mas, entre 2015 e 16, cresceu apenas 7,5%.

Dois pontos explicam esta diminuição do ritmo. O primeiro é que a infraestrutura é cara e já foi minimamente construída nos grandes centros urbanos. Conforme vai se espalhando por regiões menos habitadas, o processo se torna mais lento. Há uma segunda questão: de acordo com os números mais recentes compilados pelo instituto Pew, 56% da população mundial é de baixa renda e, 15%, pobre. A baixa renda não necessariamente exclui ninguém da rede, principalmente via celular. Mas é um limitador.

Não é à toa, portanto, que neste momento no qual praticamente metade de nós estamos online, o crescimento ocorra nas plataformas móveis. A média global é de que 39% do tráfego se dá em celulares. Nos EUA, porém, corresponde a 22%. O país campeão é a Nigéria: 82% do fluxo de dados ocorre na palma da mão, seguido de África do Sul, Indonésia e Índia. Quanto mais pobre a população, mais móvel.

Mas é no declínio do número de sites que está a informação mais reveladora. Existem 966 milhões contra mais de 1 bilhão ao final de 2014. Outros dados explicam o que ocorre. Onde há maior crescimento na rede, hoje, é no número de pessoas que acessam redes sociais via celular: 17%. O uso de redes sociais cresceu 10%, mas principalmente dentre quem o faz pelo mobile.

Há menos sites pois as pessoas frequentam menos sites. Em algumas áreas, como a dos blogs pessoais, a queda é nítida. Depois de uma tendência de alta que durou boa parte da primeira década do século, blogs foram sendo substituídos pelas páginas de perfil no Facebook e Instagram.

Até o perfil de navegação em sites se transformou. Se antes o acesso direto e via plataformas de busca era a regra, agora quem assume a liderança são as redes sociais. É de lá que saem boa parte das visitas a websites. E este acesso tem uma característica menos profunda: o visitante, após ler o que há do outro lado do link, clica no botão voltar. Principalmente no caso do Facebook, a aposta é numa rede fechada que pouco se comunica com o exterior.

Mas, se há uma lição que a história de vida da internet comercial deixa nestes 22 anos, é que nenhuma tendência tem durado. De sites estáticos e nada interativos passamos à era dos sites pessoais cheios de comentários. Destes para os sites montados em bancos de dados e aí para as redes sociais. A cada cinco anos, tudo é diferente neste mundo digital.

É possível que alguma hora a coisa comece a se estabilizar. Que a internet pare de se transformar e as mudanças comecem a vir aos poucos. Ou não. De certo só dá para afirmar uma coisa: por enquanto, o tempo ainda é de mudanças intensas.

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