A marca Rio ganha uma chance de ouro

A marca Rio ganha uma chance de ouro

Cidade poderá receber mais turistas apósOlimpíada, mas tem obstáculos a superar

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

22 de agosto de 2016 | 05h00

Todo mundo parece concordar que, desde a cerimônia de abertura da Olimpíada, a imagem do Rio de Janeiro, de repente, mudou para melhor. A série de problemas mostrados na preparação dos jogos deu lugar a um evento que funcionou – apesar de eventuais “soluços”. A grande pergunta agora é se a cidade poderá usar o evento para fomentar o turismo nos próximos anos, caso a marca Rio seja bem trabalhada.

A referência em transformar a Olimpíada em um “legado” ainda é Barcelona, na Espanha, que sediou o evento em 1992. Nos dez anos seguintes aos jogos, o fluxo de turistas estrangeiros para a cidade dobrou, chegando perto da marca de 3,5 milhões ao ano, e nunca mais baixou deste patamar. Atenas (2004) e Londres (2012) também viram benefícios, mas em patamar mais modesto.

Estatal responsável pela promoção de destinos brasileiros, a Embratur está se movimentando para tentar pegar carona na onda de boa vontade com o Rio de Janeiro. Uma campanha será veiculada, já nas próximas semanas, no canal de notícias CNN, sobre as belezas da cidade. O vídeo foi produzido a partir de imagens de arquivo da própria rede, para que possa ir ao ar rapidamente.

Segundo o presidente da Embratur, Vinicius Lummertz, a empresa tem hoje um orçamento de US$ 16 milhões para promoção internacional de destinos brasileiros – bem abaixo do valor de US$ 115 milhões cinco anos atrás. “Pleiteamos uma emenda constitucional de US$ 400 milhões para ficarmos no nível de gastos do México.”

Enquanto o dinheiro extra não vem, Lummertz diz que o Rio ganhou vantagens competitivas em infraestrutura, como a ligação do metrô até a Barra da Tijuca e o Porto Maravilha, que podem ser um argumento a mais na hora de atrair o turista interessado em pontos turísticos tradicionais, como Pão de Açúcar, Corcovado e as praias da zona sul. “O VLT facilita o transporte e permite que se veja a cidade por novos ângulos.”

No que se refere à recepção dos turistas, a cidade evoluiu, mas ainda tem muito a melhorar, segundo Diogo Canteras, diretor da consultoria Hotel Invest. Ele assinala que houve uma adição de quartos na Barra da Tijuca e na zona sul, de cerca de 12 mil unidades nos últimos cinco anos, mas existem ainda muitos hotéis que precisam de reforma na capital fluminense.

Para Canteras, embora a reputação do Rio no exterior seja importante, o principal foco deve ser o turista nacional, que representa dois terços do fluxo para a cidade, de 7 milhões de pessoas por ano, segundo o Rio Conventions & Visitors Bureau. “O Rio perdeu o fluxo de turistas de negócios do setor de óleo e gás, mas pode ganhar com o turismo de lazer e o de eventos”, diz o especialista. “Neste sentido, o metrô ajuda muito, pois encurta a distância até a Barra da Tijuca, que tem bons hotéis.”

Marca. Do ponto de vista de marca, porém, o bom resultado da Olimpíada é apenas um passo. Embora o Ministério do Turismo tenha divulgado pesquisa mostrando que 94% dos turistas nacionais e 87% dos estrangeiros que vieram para os jogos voltariam à cidade, o publicitário Cyd Alvarez, presidente da agência NBS, lembra que há aspectos desfavoráveis, como a segurança. “É preciso lembrar que marca não se constrói só fazendo comunicação.”

No entanto, a Olimpíada serviu para virar o humor dos cariocas, na visão de Alvarez. “Houve um resgate da autoestima do carioca, que gostou de ver a cidade capaz de fazer um evento deste porte. Acho que isso pode ser o estopim da mudança que precisa acontecer em segurança, saúde e educação.”

O presidente do conselho da WMcCann, Washington Olivetto, está no time dos que acreditam que os jogos serão um legado importante para a imagem da cidade. “A Olimpíada é a melhor agência de propaganda que uma cidade pode ter, bate qualquer campanha.”

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