A marcha batida das taxas de juros

Com a taxa Selic mensal subindo para 1,01% em março, a alta de juros dos empréstimos tornou-se consequência natural, mas nem por isso menos importante para a economia, ao contribuir para afastar as pessoas físicas e jurídicas do crédito e, em consequência, limitar a recuperação do ritmo de atividades.

O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2015 | 02h04

A pesquisa mensal da Associação Nacional dos Executivos Financeiros (Anefac) registra uma elevação quase ininterrupta dos juros ativos (cobrados pelas instituições financeiras) nos últimos 12 meses, com a exceção de setembro. Da média de 5,86% ao mês, ou 98,05% ao ano, em março de 2014, os juros cobrados das pessoas físicas atingiram 6,71% ao mês, ou 118% ao ano, no mês passado. E, se a taxa básica de juros voltar a subir, como se prevê, o mais provável é que os juros dos empréstimos também aumentem.

Algumas taxas subiram bem mais do que a média, como as dos empréstimos pessoais nos bancos (de 3,34% em março de 2014 para 3,94% no mês passado), no cartão de crédito (de 10,08% ao mês para 12,02% ao mês) e no cheque especial (de 8,16% ao mês para 9,64% ao mês). No cartão de crédito e no cheque especial, são juros tão altos que só toma esses recursos quem não faz contas ou não tem mais a quem recorrer.

As pessoas jurídicas pagam, em média, juros inferiores aos das físicas, mas ainda muito elevados - e igualmente crescentes. A taxa mensal aumentou de 3,35% (ou 48,5% ao ano), em março de 2014, para 3,89% (ou 58,08% ao ano), no mês passado. As médias foram influenciadas, para cima, pelas taxas cobradas das contas garantidas, uma espécie de cheque especial das empresas, que saiu de 5,84% em março de 2014 para 6,64% em março deste ano.

Iniciativas recentes, como a discussão sobre aumento de tributos sobre o lucro dos bancos e mudanças no crédito consignado, poderão influir nas taxas. É possível que as instituições busquem preservar margens.

Mais preocupante é a emenda à Medida Provisória 661, aprovada na Câmara dos Deputados, que amplia o limite para novos empréstimos com desconto em folha de pagamento, para pagar dívidas com o cartão de crédito. O comprometimento da renda de trabalhadores na ativa poderá atingir 50% (40% para aposentados). Ao cobrar juros estratosféricos no cartão de crédito, os credores sabem que será difícil de receber a dívida. A solução engendrada ajuda os bancos, mas compromete a renda das famílias.

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