A mercearia mais famosa da cidade de São Paulo

O bar que vende vinagre ou o mercadinho que tem DVDs e livros? Isso não importa, quem visita o

ROBERTA CARDOSO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2012 | 02h05

local costuma voltar

Não importa o dia da semana. A Mercearia São Pedro está sempre lotada. Curioso é ver que as mesas ocupadas não espantam os clientes. Eles se ajeitam em qualquer cantinho, até mesmo na frente do bar, onde os garçons, como bailarinos, chegam com cerveja gelada e copos para quem usa a rua como apoio para as garrafas.

"Muitos frequentadores se conhecem. Às vezes, fica difícil de cobrar a conta porque as mesas se mesclam", explica Marcos Assi Benuthe, 51 anos, o Marquinhos, como é conhecido no boteco que ajudou a construir e que hoje divide a administração com o irmão, Pedro.

A história do mais tradicional reduto da boemia na Vila Madalena, ponto de encontro de escritores, cineastas, músicos e jornalistas, começou com o pai. Descendente de sírios e com o "dom do comércio", ele instalou-se com a família no número 34 da Rua Rodésia. Era 1968. "A única tentativa que tivemos de pegar carona no crescimento da Vila Madalena foi naquela época, quando meu pai abriu uma loja de materiais de construção aqui", relembra.

Marquinhos não gostou. Ainda menino, ajudava na antiga mercearia da família, localizada na Zona Leste de São Paulo. "Eu não tinha nem 10 anos de idade, mas já me achava experiente. Senti falta das prateleiras quando viemos para cá e meu pai encheu o lugar de sacos de pregos e parafusos".

O empresário então ganhou do pai um espaço para expor os produtos que se encontram no mercado. A afinidade com a organização tornou-se marca, as prateleiras abastecidas por ele sobreviveram. E a mercearia voltou a ganhar espaço. Hoje, abrigam não só produtos como sabão em pó e vinagre, mas DVDs e livros também. "A gente foi crescendo aos poucos. Primeiro compramos o bar do vizinho e junto vieram os clientes, depois chegaram os filmes e livros", conta. Por isso, o estilo do bar nem sempre agrada. "Todos os dias tem gente nova, que nunca veio aqui. Alguns não gostam. Mas o frequentador da Mercearia entende nossas fragilidades e volta sempre."

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