A metamorfose do emprego e a previdência social

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A metamorfose do emprego e a previdência social

A transformação das relações de trabalho e do emprego é irreversível e isso exigirá um novo modelo de financiamento das aposentadorias

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2018 | 20h00

Depois de um tempo de perplexidade ou de escolha errada de culpados, comentaristas e economistas de todas as tendências começam a entender que as relações de trabalho passam por rápidas mudanças. Falta garantir ocupação para o trabalhador e como enfrentar o problema da cobertura da previdência social.

 

A perplexidade mencionada também produz a escolha do inimigo errado. É o que tem acontecido com os taxistas. Saíram apedrejando carros do Uber e do Cafiby, reivindicando igualdade de tratamento, sem ver que o uso dos aplicativos não tem retorno.

Reação similar se vê quando sindicalistas atacam as reformas trabalhistas por terem incorporado o trabalho temporário, sem levar em conta que a legislação não o criou, mas apenas reconheceu realidades em curso no mercado.

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Alguns economistas recomendaram cobrança de impostos sobre o uso de robôs, para reduzir dispensas de mão de obra por causa da incorporação de novas tecnologias. Robô é pequena parcela das inovações. Muito maior alcance sobre o mercado de trabalho tem a intensificação do uso de tecnologia de informação e dos aplicativos. Os bancos, por exemplo, não se robotizaram. Apenas se informatizaram e permitiram movimentações financeiras e pagamentos de contas por meio da internet, dos cartões e do celular. Com isso, são dispensados empregos (de bancários) e, também, agências bancárias. As greves dos metroviários de São Paulo, alegadamente contra a privatização, são, na verdade, contra a tendência de automação na condução de trens. Nesse sentido, a reação dos metroviários é movimento retrógrado. Em mais alguns anos, a maioria dos veículos será conduzida autonomamente. É mudança incentivada pelos governos não só porque querem lutar contra a poluição atmosférica, mas, também, porque precisam reduzir as despesas na saúde pública produzidas por acidentes de trânsito – a grande maioria causada por erros humanos.

Como tantas vezes repetiu esta Coluna, está em curso uma irreversível transformação das relações de trabalho e do emprego tal como conhecemos.

Estudo de 2017 da consultoria McKinsey aponta que até 2030 apenas a automação deverá fechar 400 milhões de vagas de trabalho no mundo. O resultado disso não está claro. O futuro parece apontar para as atividades autônomas, sem relações de emprego.

Uma das consequências dessa transformação é a destruição das bases atuais de financiamento das aposentadorias e pensões. No Brasil e na maior parte dos países do mundo, a previdência social se assenta em financiamento tripartite. Contribuem para ela o empregador, o empregado e o próprio tesouro nacional. Esse triângulo é quebrado à medida que a mão de obra é dispensada.

Ou seja, os rombos dos sistemas previdenciários não acontecem só porque os jovens estão entrando mais tarde no mercado de trabalho e a expectativa de vida aumentou. Já acontecem e vão acontecer ainda mais porque todo o mercado de trabalho está em profunda mutação. Ainda não há solução para o problema.

CONFIRA:

» Queda no desemprego

Mais devagar do que o desejado, o desemprego vai recuando. O índice de desocupação fechou 2017 nos 11,8% da mão de obra ativa, em parte porque aproveitou a abertura sazonal de postos de trabalho. Como a atividade econômica vai se recuperando, novos avanços no emprego devem ser esperados ao longo de 2018. Mas, ainda que o PIB aumente de ritmo, é improvável que os postos de trabalho cresçam na mesma proporção. Isso tem a ver com a automação e com os aplicativos, como está no texto acima

 

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