'A mudança de patamar da MRV em 2009 foi um negócio maluco'

'A mudança de patamar da MRV em 2009 foi um negócio maluco'

O dia 29 de março de 2009 vai ficar na memória de Rubens Menim, controlador da construtora MRV, uma das maiores do País. Há exatamente um ano, o governo Lula anunciava a criação do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Foi uma injeção de ânimo para o time da MRV, que andava meio "abatido" com a crise ? em pouco tempo, suas ações despencaram e o ritmo de lançamentos foi brecado. Hoje, a MRV lidera, com alguma folga, o ranking do programa. Suas ações já valorizaram 200% nos últimos 12 meses ? a MRV vale agora mais de R$ 6 bilhões.

Patrícia Cançado, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2010 | 00h00

1 Qual foi o impacto do Minha Casa, Minha Vida na MRV?

Em janeiro do ano passado, antes do programa, a nossa previsão de lançamentos para 2009 era de R$ 1,6 bilhão a R$ 2 bilhões. No fim do ano, subiu para R$ 2,8 bilhões a R$ 3 bilhões, um aumento de 50%. É um negócio maluco essa mudança de patamar. Foi um grande incentivo. A MRV foi a empresa que mais assinou contratos com a Caixa. Está muito à frente dos outros. Por causa disso, a turma está trabalhando pesado. Mas ninguém está se queixando, nem eu estou.

2 A sua rotina mudou muito? Minha rotina foi sempre muito pesada. Mas a responsabilidade aumentou muito. Viajo duas vezes por semana para visitar obras da MRV, da concorrência e para olhar terrenos. Para São Paulo e Rio, vou todo mês. Eu costumo percorrer todas as praças do Brasil em um intervalo de três meses (são 14 estados e 85 cidades). Na terça-feira (23), por exemplo, saí às 6h da manhã de Belo Horizonte e voei para Ribeirão Preto, Araraquara, São Carlos, Bauru e Jundiaí. Dormi em São Paulo. No dia seguinte, fui para Guarulhos, Jundiaí, Campinas, Limeira, Sumaré, Hortolândia e Americana. Viajo com um BlackBerry e um computador que tem uma antena ligada 24 horas por dia.

3 No seu sonho mais otimista, o senhor esperava chegar a esse tamanho?

Eu não esperava. Há cinco anos, quando contratamos o Banco Pactual para preparar a empresa para uma capitalização, nossa meta era ter entre R$ 1 bilhão e R$ 1,2 bilhão em vendas por ano em 2010. Estamos chegando a R$ 4 bilhões.

4 Já pensa em parar? Seus filhos trabalham na empresa?

Ainda não, mas um dia vou ter de parar. Ainda estou com 54 anos. Tenho três filhos, e dois trabalham na empresa desde os 18 anos. O mais velho é diretor executivo da MRV. A minha filha é diretora jurídica. O terceiro trabalha no mercado financeiro. Mas tem gente muito boa hoje na empresa preparada para assumir o meu lugar.

5 Qual foi o pior momento da crise?

A crise deu muito trabalho. O pior momento foi novembro e dezembro de 2008. Tivemos de viajar e conversar com as pessoas, com os investidores, para explicar as coisas. Quando o governo anunciou o pacote, no dia 29 de março, tudo mudou. Juntamos o pessoal no dia seguinte e dissemos: agora temos o mundo para percorrer. A turma da MRV é muito aguerrida, mas estava abatida com a crise. /

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