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Renato Cruz
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A nova era espacial

Quando Neil Armstrong e Buzz Aldrin chegaram à Lua em 1969, parecia que o futuro pertencia às viagens espaciais. Pessoas iriam ao espaço em missões científicas e por lazer. Criaríamos colônias lunares e depois em Marte. O universo seria a nova fronteira da humanidade.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2015 | 03h20

Apesar de toda a ficção científica, esse futuro não se concretizou. As viagens à Lua eram uma demonstração de força no contexto da Guerra Fria. Desde que os americanos acabaram com o projeto Apollo, as missões tripuladas ficaram circunscritas à órbita terrestre.

Graças ao interesse de empresas privadas, vivemos uma nova era espacial. Na segunda-feira, o foguete Falcon 9, da SpaceX, decolou na Flórida e colocou em órbita uma carga de 11 satélites da Orbcomm. A grande novidade foi que o primeiro estágio do foguete voltou à Terra e pousou na vertical, no lugar de cair ao mar. O reaproveitamento do primeiro estágio em várias missões tem o potencial de reduzir em 99% o preço dos lançamentos.

O foguete era não tripulado e a missão orbital. Mas a ambição de Elon Musk - fundador da SpaceX que ficou multimilionário com a venda do PayPal e também criou a montadora de carros elétricos Tesla - vai além.

Em 2002, antes de criar a SpaceX, Musk procurou no site da Nasa o plano para levar pessoas a Marte e, quando não encontrou, pensou estar procurando no lugar errado. Quando percebeu que a agência não tinha nenhum plano desse tipo, decidiu fundar a SpaceX.

Excessivamente otimista, Musk achava que conseguiria levar pessoas a Marte até 2009. Mas projetar foguetes não é tão fácil e a missão a Marte foi adiada para meados da década de 2020. Conquistas técnicas como o pouso do primeiro estágio do Falcon 9 contribuem para o projeto.

Da mesma forma que a Tesla fez com que outras montadoras voltassem a apostar no carro elétrico, o plano ambicioso da SpaceX levou governos a retomarem interesse pela exploração espacial com missões tripuladas. A Nasa revolveu criar um plano para levar pessoas a Marte na década de 2030. A China quer enviar sua primeira missão tripulada para a Lua em 2024 e para Marte entre 2040 e 2060.

Elon Musk não é o único empreendedor a investir em viagens espaciais. A SpaceX compete com a Blue Origin, criada por Jeff Bezos, da Amazon, e com a Virgin Galactic, de Richard Branson. A Mars One, organização sem fins lucrativos sediada na Holanda, lançou há três anos a proposta controversa de estabelecer uma colônia permanente no planeta vermelho em 2027, numa viagem só de ida. Seus planos têm recebido críticas de cientistas e da indústria aeroespacial. E por que ir a Marte? Para Elon Musk, o futuro da humanidade não pode depender das condições de vida num único planeta, a Terra.

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