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A nova Microsoft não quer dominar, mas se misturar

Para a gigante da tecnologia, o caminho para recuperar a importância é abrir seus programas e sistema para os rivais

HEYLEY TSUKAYAMA, THE WASHINGTON POST

01 Maio 2015 | 02h04

A Microsoft anunciou na quarta-feira que usuários poderão ter acesso a aplicativos destinados ao Android do Google e ao iOS da Apple nos dispositivos da empresa. Os desenvolvedores agora poderão reutilizar o código de aplicativos para plataformas mais populares - como o jogo Candy Crush, da desenvolvedora King, por exemplo - e depois torná-lo um aplicativo para a Microsoft. A medida é a mais recente indicação de que o diretor executivo, Satya Nardella, pretende tornar sua Microsoft mais flexível e mais humilde.

Sua visão da companhia tem mais a ver com a possibilidade de ter influências em variadas áreas de operações, do que dominar cada mercado individualmente.

De certo modo, a gigante tecnológica quer chegar aos consumidores e às empresas onde eles se encontram - e, pelo menos no mundo da telefonia celular, nem sempre será em dispositivos Microsoft. Por isso, em vez de continuar prendendo indissoluvelmente seu software e hardware - estratégia que somente a Apple conseguiu aplicar com sucesso de maneira sustentada - a Microsoft quer ser o lugar ao qual o usuário recorre quando quer abandonar o tradicional. A companhia anunciou também que tornará mais fácil carregar o código dos aplicativos da Internet e do computador de mesa para o Windows 10.

Numa apresentação durante a conferência de desenvolvedores da companhia em San Francisco, Nadella se referiu à nuvem, aos aplicativos para celulares e ao Microsoft Office como os três pilares do seu projeto para tornar a Microsoft o lugar mais procurado. Na conferência, desenvolvedores e gerentes de projetos apresentaram programas da Microsoft, inclusive alguns do seu importante Office suite, que rodam nos Macs e no Linux.

Os investidores aparentemente não sabem o que fazer com os anúncios da companhia. As ações caíram levemente - uma queda de cerca de 0,5%, para US$ 48 - durante a apresentação.

Ao mesmo tempo, os analistas acham que a Microsoft deveria ir com calma.

"A decisão de adotar os aplicativos para Android e iOS é uma solução imperfeita para um problema indesejável," disse Geoff Blaver, vice-presidente das Américas, da CCS Insight. "Entretanto, é necessário agir para atrair os desenvolvedores que, do contrário, iriam para a Apple e o Google."

Levar aplicativos de uma plataforma para outra, "sem nenhuma modificação, não é uma estratégia viável para a criação de aplicativos de grande qualidade", observou Al Hilwa, analista de tecnologia do grupo de pesquisa International Data Corp (IDC). Entretanto, prosseguiu, admitir que os desenvolvedores trabalhem em diferentes plataformas é "um aspecto importante da nova estratégia da Microsoft".

A gigante da tecnologia acaba de registrar um trimestre forte em que superou as expectativas dos analistas em termos de faturamento e lucro, em grande parte graças ao sucesso da empresa na área de computação em nuvem, o departamento que Nadella dirigia antes de assumir o posto mais alto, no ano passado.

Mas mesmo nesta área crucial, na qual a Microsoft enfrenta Google, IBM e Amazon, Nadella deixou claro que está satisfeito por ter conseguido fazer com que a Microsoft possa coexistir com outros serviços, em lugar de tirar os outros concorrentes do caminho. Numa reunião com analistas na semana passada, respondendo à pergunta se estava preocupado com o Amazon Web Services, Nadella enfatizou que muitos clientes usam este serviço juntamente com o Azure da Microsoft. (O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é também o proprietário do jornal Washington Post.)

A notícia referente ao Android não foi o único tema surpreendente na conferência. A Microsoft anunciou o nome de seu novo navegador da Internet, o Microsoft Edge, que substituirá o Internet Explorer. Os óculos de realidade virtual da companhia, os HoloLens, foram novamente apresentados com um grande demo para ilustrar como os usuários podem "captar" hologramas e colocá-los sobre qualquer superfície. A companhia destacou o valor das HoloLens para determinadas atividades - particularmente no caso de arquitetos e engenheiros - e exibiu os óculos trabalhando com um robô físico aumentado holograficamente. O grande diferencial do dispositivo e que chamou a atenção durante a exibição foi a boa integração realizada pelo óculos entre o ambiente real e virtual, conectando-os perfeitamente..

A Microsoft destacou também a flexibilidade do Windows 10, que visa facilitar o trabalho de programas em desktops e em celulares. A companhia não anunciou uma data para o lançamento do Windows 10, mas prevê que o sistema estará em 1 bilhão de dispositivos daqui a dois ou três anos. / Tradução de Anna Capovilla

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