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Celso Ming
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A nova onda de otimismo

Parecem sólidos os indicadores que apontam para a melhora econômica do Brasil

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2019 | 20h30

O período de vacas magras no Brasil foi tão prolongado e tão sofrido, que leva muita gente a manter seu ceticismo sobre as cada vez mais frequentes avaliações de que há a caminho uma retomada robusta da economia do País.

Nesta sexta-feira, o Banco Central revelou os resultados do IBC-Br, o indicador montado para antecipar a evolução do Produto Interno Bruto (PIB). E os novos números mostram que o primeiro mês do último trimestre confirma avanço do PIB deste ano para alguma coisa em torno de 1,2%, mais do que o 0,9% da maioria das estimativas. Ainda será mais baixo do que o 1,3% obtido em 2018, mas é mais alto do que 0,6% a 0,8% que a maioria dos analistas vinha esperando. Além disso, confirma bom empuxo para o início de 2020, que poderá ajudar positivamente nos resultados dos trimestres seguintes.

Outros indícios reforçam essa avaliação. Crescem a produção industrial e o consumo, estimulados, por sua vez, pela baixa dos juros no recorde histórico de 4,5% ao ano. O rali do mercado de ações nas últimas semanas reflete  a busca de opções de maior retorno baseado na perspectiva de melhora dos resultados das empresas.

Desta vez, a derrubada dos juros é consequência natural da queda sustentada da inflação, e não de determinações eivadas de artificialismos, como as que aconteceram ao longo do governo Dilma Rousseff, o que é outro fator de segurança para os investimentos.

Com esse recuo consistente da inflação, com o avanço nas reformas e com a melhora da administração da despesa pública, a confiança vem aumentando. É o que está sendo auferido não só pelo comportamento da Bolsa, como apontado, mas também pelo mergulho do CDS (Credit Default Swap), que é o adicional cobrado acima dos juros pagos pelos títulos do Tesouro Nacional de cinco anos. Quanto mais alto esse adicional, maior o risco. Há apenas seis meses, estava nos 184 pontos porcentuais. Na sexta-feira, tinha caído a 99 pontos, melhor número desde 2010. 

Outro importante indicador de bons augúrios foi a decisão tomada pela Standard & Poor’s, uma das três mais importantes agências de avaliação de risco, que colocou o rating do Brasil em “perspectiva positiva”. Isso significa que está na iminência de reconhecer a melhora da qualidade dos títulos de dívida do Brasil. E deve levar as outras agências do ramo (Moody’s e Fitch) a trilharem o mesmo caminho. 

Dos dois setores mais dinâmicos também há boas notícias. Pelos cálculos da Conab, as safras agrícolas que começam em fevereiro são de novos recordes de produção de grãos, para mais de 246 milhões de toneladas, aumento físico de 1,6%. É desempenho que deverá ter efeitos multiplicadores sobre a renda do interior. Do setor do petróleo e gás, espera-se para 2020 crescimento da produção de 27%. E as regiões próximas dos centros de produção (Estados do Rio e Espírito Santo) acusam aumento significativo de contratações de mão de obra. 

Nada disso afugenta definitivamente as incertezas. As bases políticas do governo Bolsonaro são frágeis e poderão prejudicar a condução da política econômica. A melhora das contas públicas não pode ser tida como favas contadas. O viciado em gastança ainda está em tratamento de desintoxicação e sujeito a recaídas.

Uma das fontes mais citadas de incerteza global com impacto sobre o Brasil são as escaramuças comerciais entre Estados Unidos e China, nessa briga dos dois machos alfa da manada pela supremacia. É possível que, também desse lado, provenha alguma distensão. À medida que, em 2020, se intensificar a campanha eleitoral para a presidência dos Estados Unidos, pode-se esperar por alguma trégua. 

Enfim, os indicadores de melhora parecem sólidos. Setores da oposição que apostavam no quanto pior melhor devem estar à procura de uma estratégia mais segura. Fica para os analistas políticos avaliarem que impacto terão nas eleições deste ano e nas de 2022.

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