A nova realidade é aumentada

A realidade virtual é certamente um dos assuntos de 2015, mas corre na paralela um tema de igual potencial, mas que vem fazendo bem menos alarde: a realidade aumentada. É possível que ele ganhe mais projeção agora que a Apple comprou uma empresa alemã especializada nessa tecnologia, a Metaio. Como de praxe, nenhuma empresa comenta a notícia. A página da Metaio e suas contas em redes sociais foram tiradas do ar. A empresa surgiu em 2003 como um projeto interno da Volkswagen, ganhando pernas próprias pouco depois. 

Homem objeto, O Estado de S. Paulo

01 de junho de 2015 | 02h00

A realidade aumentada se trata da sobreposição de imagens ou objetos criados digitalmente em um cenário real transmitido na tela de um dispositivo através da câmera ou ainda em óculos especiais. A realidade aumentada tem muito mais aplicações práticas do que a realidade virtual. Esta, por seu caráter imersivo, é propícia para entretenimento como jogos, filmes e transmissões de shows em 3D. Ela foi feita para ser consumida, de preferência, no mesmo lugar. Até porque sair andando com um óculos de realidade virtual no rosto é pedir para sofrer um acidente. A realidade aumentada, por outro lado, apenas acrescenta uma camada extra de informações ao que a pessoa está vendo. Pode-se imaginar as possibilidades em áreas como comércio, educação, turismo, navegação e entretenimento.

Um vídeo de apresentação no perfil da Metaio no YouTube é um passeio empolgante pelas possibilidades da realidade aumentada. Logo no começo aparecem imagens de uma avenida qualquer em uma cidade onde determinados prédios aparecem realçados digitalmente, mostrando informações como uma oferta de uma loja ou a disponibilidade de escritórios para alugar. Mais adiante, uma pessoa enquadra uma escultura em um museu com seu tablet, e informações sobre a obra aparecem na tela. 

No fim do ano passado, a Metaio e uma empresa chamada Timetraveler demonstraram o uso da tecnologia no turismo em Berlim: podia-se enxergar como eram setores da cidade quando ainda existia o muro simplesmente mirando o local com o smartphone. 

O aplicativo Here Maps, disponível em alguns modelos de smartphone da Nokia e alvo de disputa entre empresas como Uber e BMW, faz surgir nomes de estabelecimentos comerciais, pontos turísticos ou dados sobre transporte público conforme o usuário aponta o campo de visão de sua câmera de celular para uma determinada direção.

Quem já está disparado na frente nessa corrida é a Microsoft. Em janeiro, a empresa mostrou seus óculos HoloLens, projeto chefiado pelo brasileiro Alex Kipman, o mesmo que inventou o sensor de movimentos Kinect. Os óculos, que a empresa vê servindo uma série de propósitos, de jogos a projetos de arquitetura, se tornaram um símbolo do arrojo da gestão do CEO Satya Nadella, que conseguiram colocar os termos Microsoft e inovação na mesma frase outra vez. 

Projeções sobre quanto esse mercado valerá nos próximos anos variam loucamente, mas todas apostam que a realidade aumentada será bem maior que sua parente virtual. Uma estimativa divulgada pelo site TechCrunch, preparada pela consultoria Digi-Capital, mostra as duas “realidades” sendo responsáveis por um mercado de US$ 150 bilhões em 2020, com a realidade aumentada sozinha rendendo cerca de US$ 120 bilhões. 

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