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A nova responsabilidade do Copom

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá nos dias 4 e 5 de setembro num clima totalmente diverso do que prevaleceu nas reuniões anteriores, em razão das perturbações no mercado financeiro internacional, e terá de levar em conta essa modificação.A missão principal do Copom é controlar a inflação, mas não é menos importante que leve em conta o novo ambiente com o qual a economia brasileira se depara. Tudo indica que a inflação ganhou um avanço não desprezível nas últimas semanas, embora não tenha extravasado os limites previstos pelo Conselho Monetário Nacional.Três fatores principais contribuíram para esse salto da inflação: a desvalorização do real, que se traduz em elevação dos preços de produtos importados (inclusive de bens intermediários que vinham contribuindo para a redução do custo de alguns bens aqui produzidos); a alta dos produtos agrícolas, diante do choque da demanda no mercado internacional; e a forte redução da liquidez no mundo, que acarreta maiores dificuldades para contratar empréstimos no exterior, tornando-os mais caros também e levando as empresas nacionais a recorrerem mais à poupança interna a um custo maior.As autoridades monetárias terão de levar em conta esses novos aspectos e procurar compensar seus efeitos negativos.Diante de uma elevação da inflação, a tendência natural do Copom seria aumentar a taxa Selic. Tudo indica, porém, que não será essa a atitude do Copom, que, provavelmente, na sua próxima reunião, aceitará reduzir de 0,25 ponto porcentual a taxa atual, interrompendo a fase anterior de cortes maiores.É compreensível essa prudência, mas consideramos que nas reuniões seguintes as autoridades monetárias, salvo um forte aumento da inflação, deveriam continuar com as reduções da Selic, prudentemente, mas sem elevá-la ou estabilizá-la.O Copom precisa corrigir erros do passado, quando a Selic foi reajustada bem acima da inflação prevista e por tempo exagerado. Isso só se justifica por períodos breves e diante de uma inflação muito alta. Os exageros transformaram a Selic, de um instrumento de contenção da inflação, em fator de elevação do custo final do crédito, que inibiu maior crescimento. É hora, agora, de procurar novos instrumentos (compulsório, maior concorrência entre os bancos, redução da alíquota da CPMF) para melhor controlar a inflação.

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