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A obsessão da 'caixa-preta'

Durante a campanha eleitoral, o candidato Jair Bolsonaro surfou na onda das operações controversas do BNDES para ampliar o apoio político e ganhar votos no debate polarizado entre direita e esquerda

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2020 | 18h14

A "caixa-preta" do BNDES é um daqueles temas que de tão polêmico depois de um tempo já não se sabe direito do que se está falando. Durante a campanha eleitoral, o candidato Jair Bolsonaro surfou na onda das operações controversas do banco, feitas pelos governos do PT, para ampliar o apoio político e ganhar votos no debate polarizado entre direita e esquerda.

No início do governo Bolsonaro, o discurso de abertura da caixa preta foi assunto recorrente (quase uma obsessão) e justificativa para a demissão do então presidente do BNDES, Joaquim Levy, pelo presidente. 

“Com poucos dias de governo, não só a caixa preta do BNDES, mas de outros órgãos estão sendo levantados e serão divulgados", escreveu o presidente no Twitter há um ano.

Contrário à indicação de Levy, Bolsonaro não poupou o ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff e o demitiu em praça pública com a justificativa de que o presidente do BNDES não tinha aberto a "caixa-preta".

A CPI do BNDES do ano passado também não trouxe fatos muito reveladores, como se esperava. Agora, reportagem do Estado mostra que o banco de desenvolvimento gastou R$ 48 milhões com uma auditoria interna que prometia abrir a caixa-preta da estatal.

Após um ano e 10 meses de investigação, o banco divulgou, no fim de dezembro, um relatório que não apontou nenhuma evidência direta de corrupção em oito operações, realizadas entre 2005 e 2018.

É bom lembrar que foi o próprio presidente do BNDES, Gustavo Montezano, que, no final do ano, passado,  saiu a campo para dizer que o banco não tem, atualmente, nenhuma operação polêmica para esclarecer  no trabalho de abertura da  caixa-preta da instituição.

Em live com Bolsonaro, realizada na mesma época, assunto já tinha sido abordado sem o mesmo estardalhaço de antes.

Afinal o que é "caixa-preta"? As operações do BNDES, realizadas entre 2003 e 2015, para financiamento de obras no exterior e a internacionalização de empresas brasileiras, como as do grupo JBS? 

Os empréstimos do Tesouro Nacional ao banco que alimentaram uma política de subsídios para empresas numa espécie de orçamento paralelo, que garantiu de volta para o caixa do governo receitas bilionárias de dividendos? 

Ou o suposto envolvimento de funcionários do banco  que teriam sido complacentes com as operações no exterior para países que deram calote no Brasil?

O certo é que o “fim” do processo de abertura caixa-preta apontado pelo presidente do banco serve à finalidade de pacificação com o corpo de funcionários do BNDES.  Há anos o tema "caixa-preta" tem trazido desconforto ao corpo de funcionários do banco e  de alguma forma travado a atuação do banco. 

Esse movimento do Montezano vem a calhar no momento em que a equipe econômica busca um caminho novo para o BNDES e o governo precisa preparar bons projetos de infraestrutura para buscar parceiros no exterior e deslanchar o crescimento.

* É REPÓRTER

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