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A oferta de crédito só cresce nos bancos públicos

Em 2014, o aumento real dos empréstimos bancários, de 0,9% entre maio e junho e de 4,2% no primeiro semestre, atingindo o saldo acumulado de R$ 2,83 trilhões, deveu-se exclusivamente aos bancos públicos. Nestes, os saldos de empréstimos cresceram 1,5% no mês e 7,2% no semestre, alcançando R$ 1,49 trilhão - ou 52,6% do crédito total, comparado à participação de 32,3% dos bancos privados nacionais e de 15,1% das instituições financeiras estrangeiras.

O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2014 | 02h04

Entre dezembro de 2012 e junho de 2014, o setor privado perdeu 4,8 pontos porcentuais de participação na oferta de crédito, sendo 3,5 pontos relativos às instituições nacionais, cujo peso caiu de 35,8% para 32,3%, em números arredondados.

A liberação de depósitos compulsórios e outras facilidades creditícias anunciadas na semana passada pelo Banco Central (BC) poderiam, em tese, permitir a expansão dos empréstimos pelos bancos privados. Mas estes só concedem crédito quando há demanda e quando os interessados têm bom cadastro.

Se a economia está em desaceleração e os juros sobem, a procura por empréstimos se retrai. Quando o chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, reafirmou, ontem, que a projeção oficial é de alta de 12% no crédito neste ano, ele pareceu contar com os bancos públicos. Nos últimos 12 meses, estes bancos elevaram os empréstimos em 17,1%, ante 5,6% dos bancos privados nacionais e 8,1% dos estrangeiros.

Para um crescimento de 12% neste ano, bastaria que se repetissem os dados de junho, quando o aumento da oferta total de crédito foi de 11,8%. Mas esse porcentual mostra tendência de queda - o avanço foi de 14,6%, entre dezembro de 2012 e dezembro de 2013.

Entre as carteiras de crédito que menos têm evoluído está a do financiamento de veículos, que caiu 0,8% em junho, 3,2% no semestre e 3,7% nos últimos 12 meses. A queda nos saldos financiados foi superior a R$ 6 bilhões neste ano. Parece improvável uma reação mais forte neste trimestre, pois os compradores potenciais estão retraídos. E isso não se deve à falta de crédito, mas às preocupações com o emprego e com o endividamento. Prova de que os tomadores estão mais criteriosos com suas finanças é a queda do nível de inadimplência em junho.

Entre 2013 e 2014, diminuiu até o ritmo de crescimento do crédito direcionado, com juros mais baixos do que os do crédito livre. E essa é a melhor demonstração da cautela dos tomadores.

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