A oferta de energia eólica precisa ser assegurada

O leilão de reserva de energia realizado dia 23/8, para assegurar a oferta adicional de 1.500 MW, teve resultado surpreendente: Furnas e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), subsidiárias da Eletrobrás, venceram 38 dos 66 projetos oferecidos. Houve pouco interesse na área privada. Só a Chesf responderá por 401 MW da nova energia, em usinas na Bahia e no Piauí. Mas justamente a Chesf está atrasada na entrega de linhas de transmissão no Nordeste, o que impede o pleno aproveitamento da energia eólica em outras regiões.

O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2013 | 02h19

O leilão trouxe uma nova regra: a obrigação de o vencedor arcar com os custos de conexão a uma linha de transmissão já existente. Isso teria contribuído para afastar investidores privados, pois aumenta o grau de incertezas quanto à rentabilidade dos projetos licitados.

Em todo o mundo, os parques eólicos têm recebido expressivos investimentos. A potência instalada global deverá atingir, até o final do ano, 300 gigawatts, cerca de 2,5 vezes a capacidade total de geração de eletricidade no Brasil. Incluída entre as fontes limpas, a energia eólica é objeto de programas de investimento de longo prazo, como o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa).

Mas o País ainda está atrasado nesse segmento: há 93 empreendimentos em construção, mas a oferta proveniente das 90 usinas em operação é de 2,1 mil MW (1,69% do total) e faltam linhas de transmissão para que a energia entre no Sistema Interligado Nacional (SIN). Só ao entrar no sistema ela poderá ser considerada, de fato, energia de reserva, ou seja, será possível utilizá-la. Falta enfrentar o problema da lentidão da construção das linhas de transmissão da energia eólica.

Agora, como notou, em entrevista ao Estado, a diretora da consultoria de energia Thymos, Thaís Prandini, "dá um pouco de medo ver a Chesf, que tem um histórico ruim no setor de eólicas, com tantos projetos". Foi política a decisão da Chesf de participar pesadamente do leilão de sexta-feira: a estatal entrou "porque queria o domínio do Nordeste", disse o presidente da Câmara Setorial de Energia Eólica do Ceará, Adão Linhares Muniz.

Cabe indagar qual é o grau de comprometimento estatal com a oferta de energia eólica. A Chesf teve prejuízo de R$ 5,2 bilhões, em 2012, e de R$ 265 milhões, no primeiro semestre deste ano. É melhor que os resultados insatisfatórios não ponham em risco a oferta da energia licitada, que poderá ser indispensável.

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