A paralisação do Porto de Paranaguá torna-se dramática

A paralisação no Porto de Paranaguá está se tornando dramática, com lances de polícia e intervenção do governador Roberto Requião, que se recusa a negociar e pediu abertura de inquérito para apurar responsabilidades pela paralisação do Porto. No domingo, 51 navios estavam no estuário de Paranaguá esperando ordem de aportar para carregar de soja, e do outro lado, a fila de caminhões já atingia 80 quilômetros, três a mais do que ontem. O Sindicato dos Operadores Portuários de Paranaguá (Sindop) foi invadido na noite de sábado e depredado, com tentativa de incendiá-lo. O fogo foi extinto pelos bombeiros que têm um quartel próximo. Vários carros da polícia civil e militar rondaram à cidade atrás dos autores, mas nada encontraram. Em Curitiba, segundo o governo do Paraná, Requião teve uma reunião com o Procurador -Geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda e ficou acerto a abertura de um inquérito para enquandrar os responsáveis pela paralisação do Porto nos a rtigos 201 (crime contra a organização do trabalho) e o 286 (conduta de incitação de crime do Código Civil) . "Alem disso queremos indiciá-los por formação de quadrilha", disse o governador, que tem o seu irmão Eduardo Requião como superintendente do porto. O inquérito vai apurar a participação de membros Sindop ? Mauro Fontana Marder, Luís Sérgio da Silva e Carlos Roberto Frisoli -, e da multinacional Bunge ? Jorge Tacla Filho, além do prefeito de Paranaguá, Mario Roque, e do deputado estadual Valdir Leite (PPS),"e de outros representantes de entidades privadas que possam estar manipulando a crise instituída no Porto, situação que está sendo apurada pela administração do Porto desde sexta-feira". Requião disse: "Estamos nos confrontando com grupos que queriam e querem mandar no Porto ao sabor das suas vontades. Esse pessoal precisa entender que este estado tem Governo e que as multinacionais não são donas do Porto. Eles avançaram muito na época anterior, do Fernando Henrique, do neoliberalismo", disse o governador, lembrando que o dirigente do Terminal de Contêineres do Porto (TCP), Mauro Fontana Marder, "através de contrato suspeito com o governo anterior tomou conta do TCP, contrato que estamos contestando na Justiça". O governador finalizou o encontro anunciando que na segunda-feira será realizada uma assembléia geral para decidir o dissídio dos estivadores do Porto. "O Governo do Estado estará apoiando os estivadores. É preciso que os operadores portuários entendam que o Porto é uma instituição pública. A direção do Porto é nomeada pelo governador", disse Requião. Enquanto Requião falava em uma emissora FM de Paranaguá anunciando a abertura do inquérito, uma outra FM, dava palavra ao prefeito Mário Roque ao deputado Valdir Leite (PPS-PR) para que se defendessem. E isto esquentou o clima na cidade ainda mais, e hoje domingo pela manhã, ocorriam reuniões no Porto, liderada pelo superintendente Eduardo Requião, que dizia estar aberto ao dialogo e que não abriria mão da negociação. Do outro lado, os trabalhadores no Porto se reuniam e analisava m outra paralisação do comércio da cidade de Paranaguá, e entendendo que a crise do porto deverá chegar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pois as exportações de soja começarão a ser prejudicadas, e que a questão da soja transgênica só foi um pano de fundo para desviar a atenção para os problemas que o porto possui há anos.

Agencia Estado,

21 Março 2004 | 12h56

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