Ed Ferreira/Estadão
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A partir de abril devemos observar inflação em patamar inferior, diz Tombini

Segundo presidente do BC, processo de ajuste de preços faz com que a inflação se eleve no curto prazo; Tombini garantiu, porém, que o Banco Central estará vigilante para garantir a convergência da meta para o centro da meta de inflação em 2016

Adriana Fernandes, Célia Froufe, Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

24 de março de 2015 | 13h50

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, previu que, a partir de abril, a inflação mensal estará em patamar "bem inferior" ao observado no primeiro trimestre. Segundo ele, o processo de ajuste de preços pelo qual passa a economia faz com que a inflação se eleve no curto prazo, mas ele garantiu que o BC estará vigilante para garantir a convergência da meta para o centro da meta de inflação em 2016.

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal nesta terça-feira, o presidente do BC explicou aos senadores que a economia passa por dois importantes processos de realimento de preços: domésticos com internacional, e administrados com livres. "Cabe à política monetária conter os efeitos de segunda ordem para garantir as condições necessárias para a convergência ao centro da meta", afirmou o presidente do BC.



Segundo ele, um conjunto de fatores mostra que essa trajetória é factível. Entre esses fatores, ele citou que o BC está e continuará vigilante, o realinhamento das políticas macroeconômicas e o realinhamento dos preços administrados.

Tombini disse que a concentração dos reajustes dos preços administrados no primeiro trimestre reduz as pressões. Ele também citou como favorável à convergência o cenário do mercado de trabalho menos tensionado, o que contribui para moderar as pressões salariais.

Tombini também citou que, a despeito da alta do dólar, outros fatores podem mitigar o repasse da elevação da cotação para os preços domésticos, como o comportamento recente das commodities.

Meta em 2016. Tombini afirmou ainda que há um conjunto de fatores na economia brasileira que mostrariam que a convergência da inflação para o centro da meta, de 4,5%, em 2016 é factível. "O Comitê de Política Monetária (Copom) manterá política vigilante para que a inflação mensal elevada fique circunscrita aos primeiros três meses de 2015, e para que a inflação acumulada em 12 meses convirja para o centro da meta em 2016", afirmou.

Segundo ele, um desses fatores é a eliminação das incertezas que pairavam sobre o realinhamento dos preços administrados. "Mas manter a política monetária vigilante é necessário para conter os efeitos de segunda ordem desse ajuste de preços", disse. Segundo ele, os benefícios da convergência da inflação para o centro da meta deverão se estender para além do ano de 2016.

Na visão de Tombini, o fortalecimento da política fiscal facilita o processo de convergência da inflação para o centro da meta. Na tentativa de fortalecer o discurso do governo de necessidade do ajuste fiscal, o presidente do BC disse que o conjunto de medidas fiscais adotado contribuirá para que o processo de transição pelo qual passa a economia brasileira seja "rápido" e que os seus benefícios possam "logo" aparecer. Tombini avaliou ainda que a política fiscal consistente aumenta a potência monetária.

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