‘A percepção é que o Brasil está na direção certa’, diz Ilan no G-20

Diretor do banco central brasileiro reafirma que ajuste fiscal começou a ser feito e vê "melhoras" nos dados

Fernando Nakagawa, Enviado especial, CHENGDU, CHINA

24 Julho 2016 | 16h06

Após dois dias de debate sobre os grandes temas econômicos com as 20 maiores potências do mundo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deixou sua primeira reunião do G-20 com um discurso otimista. O novo titular do BC reconhece o peso dos problemas domésticos, mas ressalta que o ajuste começou a ser feito e isso foi bem recebido na China. Comentou ainda que o quadro externo piorou com o Brexit, mas não parece “totalmente ruim” para os emergentes. Ilan evitou responder se o pior já passou para o Brasil, mas citou que os dados à frente “são melhores”.

“Eu diria que há uma percepção de que o Brasil está na direção certa e o clima está começando a mudar. Quando nós apresentamos indicadores, a reação que a gente obtém é positiva”, disse Ilan ao final do encontro que terminou ontem no interior da China. “O Brasil apresentou as iniciativas em curso para ajustar a economia e ressaltou os sinais positivos tantos dos indicadores econômicos, quanto da percepção de melhora à frente. A apresentação foi bem recebida”.

Aos demais países do G-20, a delegação brasileira repetiu o discurso de que o ajuste fiscal começou a ser feito e, com a melhora das contas públicas e o avanço do calendário político – cujo principal evento é a votação do impeachment, as demais reformas como da Previdência ganharão velocidade. Portanto, o Brasil tentou mostrar que os problemas começaram a ser encaminhados.

Questionado por um jornalista se o Brasil já passou pelo pior, Ilan disse que “a única razão” para não fazer tal afirmação é período de silêncio do Comitê de Política Monetária (Copom). “Não queria falar isso porque isso vira a manchete. A única razão para eu não fazer essa afirmação é porque, como eu estou em período de silencio, não quero antecipar nada”, respondeu o presidente do BC. “O ponto é que há uma sensação de que estamos indo no caminho certo e de que os indicadores para frente são melhores”.

Além de voltar para Brasília com a boa recepção às iniciativas do governo, Ilan também avalia de forma relativamente positiva o quadro externo. O presidente do BC reconhece que o ambiente piorou após o plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia, já que as previsões para o crescimento global já são afetadas negativamente. Apesar desse impacto, Ilan diz que “o cenário global no curto prazo para os emergentes não é totalmente ruim”.

O argumento é que a desaceleração gerada pelo Brexit “não será muito forte, talvez apenas marginal”. Além disso, várias autoridades monetárias já sinalizaram que podem tomar novas medidas para apoiar a economia, o que deve aumentar a oferta de dinheiro barato. “Esse é um cenário que torna a liquidez maior no mundo”, resumiu o presidente do BC. Para países como o Brasil, o aumento da liquidez resulta em aumento de dinheiro estrangeiro atrás de juros e outros investimentos. “Isso já tem acontecido, mas não necessariamente vai se perpetuar. Se a economia global estiver crescendo forte, eventualmente esse período de liquidez excessiva termina”.

Tríade. O presidente do BC destacou também o consenso entre as 20 maiores economias do mundo de que a estratégia para o crescimento econômico passa “pela tríade necessariamente formada pela política monetária, política fiscal e reformas estruturais”. Usando discurso parecido com o feito pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, Ilan defende que a política monetária “não pode fazer todo o trabalho”.

Ao ser questionado sobre se a tríade também se aplicava ao Brasil, respondeu que não poderia falar por estar em período de silêncio gerado pela divulgação da ata do Copom na terça-feira.

Sobre as afirmações do ministro chinês de Finanças, Lou Jiwei, de que diminuiu a eficácia dos remédios tradicionais usados contra a crise como corte de juro, Ilan explicou que há receio sobre a potência da política monetária porque muitos países desenvolvidos têm juros em um piso histórico, muito perto de zero ou até negativo. “Mas o Brexit mostrou que ainda há espaço porque os bancos centrais atuaram e houve efeito”, disse. 

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