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A perda de qualidade das contas externas

O resultado líquido das contas externas em fevereiro mostra que o déficit corrente em 12 meses caiu de US$ 90,4 bilhões em janeiro para US$ 89,9 bilhões no mês passado, o balanço de pagamentos se manteve superavitário e as projeções do Banco Central para 2015 contemplam um pequeno superávit comercial, favorecido pela desvalorização do real.

O Estado de S.Paulo

25 de março de 2015 | 02h07

Mas o que mereceu menos destaque é, provavelmente, o mais importante: o comércio exterior perde importância do ponto de vista das contas externas e do peso na economia brasileira. Ao mesmo tempo, o Investimento Direto Estrangeiro (IED) foi mais fraco e os empréstimos intercompanhias continuam ganhando força, comparativamente às participações no capital, que são mais estáveis. Entre dezembro de 2011 e fevereiro de 2015, quase dobrou o volume de empréstimos intercompanhias, de US$ 105,9 bilhões para US$ 209,8 bilhões.

Os efeitos da valorização do dólar combinados com a estagnação da economia são expressivos: o déficit na conta de serviços caiu 18,5% em relação a fevereiro de 2014, atingindo US$ 2,8 bilhões; os turistas brasileiros gastaram 22,9% menos em viagens ao exterior (mas os viajantes estrangeiros também gastaram menos 14,4% no Brasil); e as empresas remeteram quase US$ 600 milhões menos de lucros e dividendos.

As projeções do Banco Central (BC) são de uma queda do déficit na conta corrente para US$ 80,5 bilhões, enquanto as estimativas de mercado são de US$ 83,7 bilhões. Para o BC, depreende-se, o recuo do déficit corrente será devido à melhora do saldo comercial, de um déficit de US$ 6 bilhões em 2014 para um superávit de US$ 4 bilhões em 2015. Ou seja, US$ 10 bilhões que explicam praticamente a totalidade da queda do déficit corrente.

Mas o saldo previsto não deve ser comemorado, pois decorrerá de nova queda da corrente de comércio exterior (soma de exportações e importações) de US$ 454 bilhões em 2014 para US$ 416 bilhões (-8,3%) em 2015. Em 2013, a corrente de comércio atingiu US$ 481,8 bilhões. Ou seja, o Brasil continuará perdendo espaço no comércio global, que continua crescendo, embora em ritmo inferior aos 4% projetados pela Organização Mundial do Comércio.

E como o IED não basta para financiar o déficit, o País dependerá de capitais em parte voláteis para atender à necessidade de financiamento de 1,40% do PIB em 12 meses, quase o dobro da registrada em fevereiro de 2014 (0,74% do PIB).

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