'A pessoa sempre tem de estar progredindo'

Ex-acadêmica dedicada a auxiliar concurseiros a otimizar tempo de estudo destaca benefícios dos 'mapas mentais'

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2014 | 03h14

Radicada em Ilhéus, na Bahia, uma ex-professora universitária de 43 anos vem ganhando fama entre concurseiros de todo o País. Ana Lopes criou em 2011 o blog maisaprendizagem.com.br, dando dicas de métodos e estudo para pessoas interessadas em estudar de forma rápida e eficaz. Em maio do ano passado, ela também desenvolveu um curso sobre um desses instrumentos: os mapas mentais, criados pelo inglês Tony Buzan e que promovem a organização de temas de forma lúdica e não linear. O Estado conversou com Ana na última quinta-feira sobre essa estratégia de estudos. A seguir, alguns trechos da entrevista.

Para quem não conhece, o que caracteriza um mapa mental?

Um mapa mental é um diagrama que você começa a desenhar no centro da folha, onde está o assunto principal. A partir desse centro, você cria ramos com os subtemas. E, à medida que vai se afastando do centro, vai detalhando esses subtemas. Adotamos cores diferenciadas para despertar mais o cérebro, melhorar a memorização, e usamos figuras para criar associações.

Por que você imagina que os mapas mentais são eficazes?

Há todo um trabalho de muitos anos do Tony Buzan, que fez experiências com crianças e adultos e que tem evidências de que isso funciona. O mapa funciona de uma forma mais favorável para o cérebro, porque o nosso raciocínio não é linear. Apesar de escrevermos e nos expressarmos de forma linear, nosso cérebro vai e volta nas ideais até que ele consiga aprender. E os mapa mental facilita isso porque os ramos sempre ficam abertos. Então, você consegue ir e voltar nos assuntos sem que a sua anotação fique um caos total. Outro aspecto são questões ligadas ao funcionamento da memória. O uso de cores diferentes, por exemplo, chamam mais a atenção do cérebro, o uso de desenhos que fazem associação com os conceitos também. O ser humano não consegue pensar muito no abstrato, a não ser que ele faça uma associação com algo concreto. Normalmente, estamos falando de alunos que estão estudando materiais de alto nível, inclusive 70% do meu público são pessoas que fazem concursos.

Por meio de vídeo-aulas no site, você ensina a construir um mapa mental. O treinamento serve para quê exatamente?

O que ele tem de diferencial é, primeiro, a questão de fazer o mapa bem resumido. Você tem saber de escolher a palavras-chave, tem de ter uma certa segurança de deixar uma parte do texto de fora do mapa. Isso é algo que a maior parte dos alunos tem de desenvolver. Algumas pessoas pegam os vídeos iniciais e já têm um desenvolvimento, e fazemos isso de propósito. Alguns dos leitores do site não vão comprar o curso, mas assim eles já têm algum ganho. Outro diferencial do treinamento é que trabalhamos com técnicas de memorização, algo muito importante para quem faz concurso.

Qual é a demanda dos alunos?

A principal demanda é a questão da quantidade enorme de informação e o tempo que eles normalmente têm disponível para estudar: conciliar essas duas coisas. Trabalha em cima disso porque a ideia é usar o caminho mais rápido para aprender. O cérebro tem limitação, então não há milagres. Mas, se a pessoa aprende o método, vai acabar aprendendo mais rápido. E, no médio, terá uma vantagem grande.

Para você, quais são os sinais de que um concurseiro está estudando de forma eficaz?

A pessoa tem de estar progredindo. Se está estudando, fazendo simulados, outros concursos, e não vê progresso, ela está com algum problema de método. Agora, se está progredindo, então o método, de alguma forma, funciona.

E quais são os principais erros cometidos pelos alunos?

Uma questão é tentar ser multitarefa: a pessoa que ouve música, atenta ao Facebook e tenta estudar. Já foi provado que o aprendizado não acontece, O aluno está se enganando ali. Outro erro é leitura e a releitura passivas. A pessoa lê o livro e, no dia seguinte, percebe que não apreendeu porque fez uma leitura sem anotar, sublinhar, sem parar para pensar no que estava lendo. A pessoa não faz perguntas ao texto.

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