A Petrobrás colhe os frutos de uma política responsável

A despeito do reconhecimento dos enormes esforços realizados pela Petrobrás, o quadro não autoriza acomodação

O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2017 | 03h00

A elevação de um grau na classificação da dívida corporativa da Petrobrás pela agência norte-americana Standard & Poor’s (S&P), de B+ para BB–, com tendência estável, reflete a qualidade da gestão da estatal chefiada desde 30 de maio de 2016 por Pedro Parente. A nova classificação indica que diminuiu o risco de a Petrobrás não honrar compromissos. Ela decorre da melhora da liquidez da empresa e da robusta posição de caixa que lhe permitirá enfrentar contingências, recuperar o relacionamento com os bancos e gerir com menos pressão o enorme endividamento assumido na era lulopetista.

A despeito do reconhecimento dos enormes esforços realizados pela Petrobrás, o quadro não autoriza acomodação. Falta muito para que a estatal mostre resultados semelhantes aos da média das grandes petroleiras globais.

A Petrobrás e o Brasil perderam o grau de investimento em setembro de 2015, caindo para o nível especulativo. A estatal foi rebaixada mais uma vez em fevereiro de 2016, diante do risco de insolvência na hipótese de o País entrar em moratória. A perspectiva da classificação da Petrobrás era, então, negativa, ao contrário do que ocorre hoje.

Já a nota brasileira não se alterou e a perspectiva ainda é negativa, refletindo a visão da S&P “de que há pelo menos uma possibilidade em três de que possamos rebaixar o rating do Brasil mais para o final do ano”. A perspectiva para o País só será estável com a melhora do ambiente político e o avanço das reformas, informou o Estado há dias.

A atual administração melhorou muitas práticas da empresa. Mudou a política para os derivados com vistas a eliminar os prejuízos decorrentes da fixação irreal de preços. Pôs em marcha um programa de venda de ativos para reduzir as dívidas. E iniciou uma política de “mudanças estruturais significativas na empresa e controles internos mais fortes”. Assim, “melhora a passos largos”, disse Flávio Conde, da consultoria WhatsCall, prevendo para 2018 a recuperação do grau de investimento. Para o Brasil e para a Petrobrás, o grau de investimento é essencial para o acesso a recursos mais fartos e baratos no mercado global, ajudando a retomada econômica.

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