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'A Petrobrás não tem como assumir sozinha'

Para especialista, é melhor se apropriar de uma parcela de uma renda petrolífera do que não ter renda nenhuma

MÔNICA CIARELLI, RIO, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2013 | 02h15

Defensor do leilão da área gigante de Libra, o primeiro campo a ser licitado no pré-sal do País, o diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, argumenta que a Petrobrás não tem capacidade hoje de assumir sozinha os custos e riscos da exploração do pré-sal. "Melhor se apropriar de uma parcela de uma renda petrolífera do que não ter renda nenhuma."

Mas ele reclama, apesar disso, que o modelo do leilão, o primeiro no regime de partilha, não maximizou o retorno para o Brasil. "Em vez de termos todas as grandes empresas petrolíferas do mundo aqui concorrendo, o governo está arriscado a ter na segunda-feira apenas um consórcio na disputa." A seguir, os principais trechos da entrevista.

O leilão de Libra é bom para o País?

A única maneira de conseguir transformar o pré-sal em benefícios para o País é tirá-lo do fundo do mar. Com o leilão se tem investimentos, que geram empregos. Sem leilão, o petróleo fica debaixo da terra até o dia em que a Petrobrás tiver condições de assumir sozinha o negócio. Talvez, nesse momento, o petróleo nem seja mais uma fonte importante de energia. Acho que o Brasil já perdeu muito tempo.

Não seria melhor deixar o pré-sal nas mãos apenas da Petrobrás para que o País possa se apropriar totalmente dos ganhos?

A Petrobrás não tem condições de assumir a exploração sozinha. Nem condições financeiras - porque o governo federal descapitalizou a Petrobrás - nem condições operacionais. Estamos falando de uma das maiores reservas do mundo. O governo precisa entender que petróleo é uma commodity. Melhor se apropriar de uma parcela de uma renda petrolífera do que não ter renda nenhuma.

O leilão de Libra maximiza o potencial de retorno dessas reservas?

Não, porque é um modelo que tem um grau de intervenção absurda. Por isso, em vez de termos todas as grandes empresas petrolíferas do mundo aqui concorrendo, o governo está arriscado a ter na segunda-feira apenas um consórcio na disputa. Há uma semana, a diretora da ANP (Agência Nacional de Petróleo), Magda Chambriard, falava que o pico de produção de Libra era de 1 milhão de barris por dia, agora virou 1,4 milhão. A quatro dias do leilão, ela subiu a expectativa de produção em 40%. Isso tudo assusta. Declarações pouco cuidadosas, feitas de maneira intempestivas, foi o que levou Eike (empresário Eike Batista, do Grupo EBX) à situação que ele vive hoje.

É preciso mudar o modelo para futuros leilões?

Se Libra é a joia da coroa, como o governo afirma e eu concordo, faz todo o sentido as grandes petroleiras privadas ou públicas estarem aqui. O sucesso de um leilão se mede pela concorrência. Com uma joia da coroa desse tamanho, o governo só atraiu 11 empresas, sendo a maioria delas estatais. É preciso fazer uma reflexão sobre isso.

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