‘A Petrobrás sabe calibrar seus preços’

Especialista aprova a política de preços da estatal e diz que consumidor terá que se acostumar com as oscilações típicas de qualquer commodity

Entrevista com

David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

01 Julho 2017 | 05h00

Ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis David Zylbersztajn aprova a política de preços da Petrobrás e ressalta a agilidade das empresas distribuidoras em importar combustíveis diante de qualquer vacilo da estatal. Para ele, a paridade com as cotações externas estimula o investimento privado em refino. Ele diz ainda que, daqui para frente, o consumidor vai ter de se acostumar às oscilações típicas de qualquer commodity.

Como o sr. avalia a nova política de preços da Petrobrás, que prevê possíveis oscilações diárias dos preços?

Há um lado positivo em qualquer política de preços, que é a previsibilidade, principalmente num caso como o da Petrobrás, que responde por praticamente todo o refino no Brasil. No fim das contas, o consumidor se beneficia. A Petrobrás vendia a preços inferiores aos do mercado e perdia dinheiro. Dava falso sinal positivo. Com a adoção de uma política de preços, é garantido eventual investimento em refino.

Qual é o efeito para o cliente?

O consumidor vai ter de se acostumar ao preço do mercado internacional. No Brasil, há a alternativa de optar pelo álcool e o consumidor ainda tem que ficar atento à qualidade do consumo. Há muito desperdício nos carros. E tem a concorrência. A Petrobrás não pode exagerar nos preços porque senão vai perder mercado.

Possíveis reduções de preços podem comprometer as margens da Petrobrás?

Depende da agilidade do mercado (competidor). O mercado se mostrou surpreendentemente ágil, demonstrou que está preparado para qualquer vacilo da Petrobrás, ao ampliar rapidamente o volume de importação. É claro que reduções de preço comprometem a margem. Mas esse é o risco do negócio. A Petrobrás é uma comercializadora de petróleo e combustíveis, tem experiência e sabe calibrar os seus preços.

A nova política é uma preparação para a venda de participações em refinarias?

É uma preparação para parcerias. Pelo histórico recente, a Petrobrás está muito mais pendente para parceria no refino. Ela quer dar segurança a eventuais parceiros. 

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