Fernando Frazão/Agência Brasil
Fernando Frazão/Agência Brasil

'A Petrobrás usufruiu das condições de mercado', diz ex-diretor-geral da ANP

David Zylbersztajn atribui bom resultado a três fatores: melhora na gestão, condições de mercado e não ingerência política

Entrevista com

David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da ANP

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

04 Agosto 2018 | 04h00

Melhora na gestão e condições de mercado favoráveis levaram a Petrobrás a ter, neste ano, seu melhor trimestre desde 2011, na avaliação do consultor David Zylbersztajn, ex-diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP). “(Um resultado positivo) não é surpresa quando a empresa é bem gerida”, diz ele.

O lucro da Petrobrás foi maior que o esperado por analistas... 

Não é surpresa quando a empresa é bem gerida.

Mas o preço do combustível não ajudou?

Sim. A Petrobrás pode usufruir das condições do mercado. É assim (com preços do combustível variando conforme o mercado internacional) no mundo todo. É cíclico, em algum momento, pode ser que a empresa perca. Outra coisa (que favoreceu) foi a gestão da empresa, de enxugamento de projetos que não deveriam ter ocorrido e de parcerias em áreas que não são primordiais. Foram três coisas: melhora na gestão, condições de mercado e não ingerência política.

Com o subsídio do diesel após a greve dos caminhoneiros, a importação do produto despencou. O resultado positivo não tem mais esse ingrediente? Essa política deve se manter?

O governo criou uma distorção no mercado, e a Petrobrás se aproveitou disso. Para o mercado das importadoras, o preço ficou muito baixo. Provavelmente vai continuar.

O lucro veio logo após o governo assumir a conta da greve. O desempenho da estatal abre brecha para a sociedade questionar a possibilidade de a Petrobrás dividir a conta?

A sociedade apoiou a greve. (A conta) é problema de quem apoia a greve. Claro que não (é responsabilidade da estatal reduzir os preços do combustível). A empresa é regida pelas regras de mercado. 

Com esse resultado, a crise que culminou com a saída de Pedro Parente fica para trás?

Acho que sim. O Ivan (Monteiro, presidente da companhia) sempre foi um executivo muito correto, inspira confiança e toma as decisões que tem de tomar. Pode ser mais discreto no trato público, mas não mudou nada em termos de firmeza de gestão. Ele e o Parente eram os dois principais responsáveis por esse processo de ajuste das contas da empresa.

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