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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

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Renato Cruz
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A política dos eletrônicos

Na semana passada, saiu a desoneração dos smartphones. O governo zerou o PIS e a Cofins dos aparelhos fabricados no Brasil, com preço de até R$ 1,5 mil. Com isso, eles vão chegar mais baratos aos consumidores. A estimativa oficial é de um corte de até 30%. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) fala em uma redução de pelo menos 7%. De uma forma ou de outra, esses dispositivos vão continuar caros, quando comparados com os valores praticados nos principais mercados internacionais.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h04

A política de informática conseguiu trazer grandes fabricantes para o Brasil e criar centros de excelência em software e serviços no País, mas não conseguiu produzir aparelhos que sejam competitivos no mercado internacional. Com isso, quem acaba perdendo é o consumidor brasileiro. Antes de desonerar os smartphones, o governo cortou os impostos dos tablets, há mais de um ano. Hoje, um iPad com conexão Wi-Fi e 16 gigabytes de armazenamento sai por R$ 1.749 no Brasil. O mesmo modelo, nos Estados Unidos, custa US$ 399, cerca de R$ 785. Isso, apesar dos incentivos e apesar de a Foxconn ter instalado uma fábrica de produtos da Apple em Jundiaí, no interior de São Paulo.

A estratégia oficial para os eletrônicos é a seguinte: fecha-se o mercado interno com impostos altos de importação, oferecem-se incentivos para trazer a produção ao País e exige-se investimento em pesquisa e desenvolvimento. A isca são os consumidores brasileiros e a contrapartida é a criação de empregos locais e a geração de tecnologia nacional. Mas o efeito colateral disso é a falta de competitividade do mercado local. E os preços altos acabam se tornando custo para empresas dos mais diversos setores e retiram eficiência de toda a economia brasileira.

No século passado, primeiro o Japão e depois a Coreia do Sul fizeram diferente do Brasil. Naqueles países, o fomento à indústria local de alta tecnologia teve como foco a exportação. O mercado interno acabou se expandindo como consequência do desenvolvimento econômico trazido pela exportação. O Japão e a Coreia criaram gigantes locais que ganharam o mundo. Décadas mais tarde, a China fez parecido, mas, no lugar de gerar gigantes locais, ela primeiro atraiu o investimento estrangeiro, também com vistas à exportação, e somente depois, de poucos anos para cá, passou a desenvolver marcas globais.

A política brasileira é meia política, porque não gera competitividade. No ano passado, o Brasil exportou somente US$ 569 milhões em produtos de telecomunicações, segundo a Abinee, uma queda de 36% sobre 2011. Em informática, foram só US$ 380 milhões, com diminuição anual de 10%. Os números de importações foram bem maiores: US$ 3,195 bilhões em informática (redução anual de 5%) e US$ 2,712 bilhões em telecomunicações (baixa de 19%). Mas, como o País quase não fabrica componentes e como a indústria local é praticamente de montagem, o número mais impressionante é o seguinte: foram importados US$ 22,319 bilhões em componentes elétricos e eletrônicos no ano passado (crescimento de 3%).

Tem gente que diz que a Lei de Informática (que também inclui telecomunicações) não serve para nada, que só gerou produtos caros. Mas não é por aí. Ela gerou empregos, trouxe investimento do exterior e, principalmente, impulsionou a indústria brasileira de programas de computador e de serviços de tecnologia. Gigantes mundiais, como HP, Dell e Ericsson, têm centros de desenvolvimento de software no País graças a essa lei, que, em troca dos impostos menores, exige o investimento de cerca de 4% do faturamento em pesquisa e desenvolvimento. As regras atuais fizeram surgir institutos nacionais de pesquisa em cidades como Campinas, Porto Alegre e Recife, que desenvolvem tecnologia brasileira e que participam de projetos mundiais.

A ideia de atrair investimentos para atender o mercado interno é antiga e ultrapassada. Coisa de 50 anos atrás. Não acho que seja o caso de se acabar com todas as barreiras e jogar fora o que foi construído até aqui, como aconteceu quando se acabou a reserva de mercado, há mais de 20 anos. Mas o Brasil precisa se tornar competitivo para poder atuar no mercado global de tecnologia.

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