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'A política monetária vai agir, mas vai demorar'

RIO - A política do Banco Central (BC), de combater a inflação com a alta dos juros, está "no script" e ainda não conseguiu derrubar a alta de preços porque leva tempo mesmo, segundo Salomão Quadros, superintendente adjunto da Superintendência de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV). Para piorar, grande parte da inflação deve-se aos preços administrados, como a conta de luz, que estavam com reajustes represados e agora estão sendo corrigidos. Como a alta de juros não segura esse tipo de inflação, o efeito demora ainda mais tempo. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao Estado:

Entrevista com

Salomão Quadros, superintendente adjunto da Superintendência de Preços da FGV

VINICIUS NEDER, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2015 | 02h05

Por que a alta de juros não está reduzindo a inflação?

Isso é uma mudança relativamente recente. O juro ficou parado boa parte do ano passado. Foi mais para o fim do ano que recomeçou a subida. A política monetária leva algum tempo (para fazer efeito). Isso está no "script". Além disso, este ano, o que está puxando a inflação são os (preços) administrados, e eles não seguem a taxa de juros. É um choque de oferta, que se transmite para outros setores. Há vários serviços por aí que são intensivos no uso de energia. O empresário pode até perder um pouco de clientela, mas ele tenta manter uma certa margem (de lucro). Isso vai tornar um pouco mais lenta a ação da política monetária. Ela vai agir, mas vai demorar. A inflação de serviços, sem passagem aérea, há seis meses está em 8,5% no acumulado em 12 meses. Então, não reagiu nada.

O que precisa para a inflação de serviços reagir?

De tempo, para que os efeitos restritivos da política monetária aconteçam. Vai chegar uma hora que você vai ter a economia um pouco mais desaquecida, o mercado de trabalho com mais folga, com gente procurando emprego sem conseguir, o reajuste salarial vai ser um pouco menor e isso vai se transformar numa inflação menor.

Se não fosse a alta de juros o quadro estaria pior?

Se você não fizesse nada, talvez já houvesse muito mais repasses (de preços), as expectativas estariam mais deterioradas. É uma luta palmo a palmo. E é demorado mesmo. É um fato da literatura econômica que o combate da inflação por meio da taxa de juro demora algum tempo.

Até 2016 para chegar à meta de 4,5% é um prazo muito curto?

Acho difícil. O Banco Central está numa campanha firme, está reiterando, está aumentando a taxa de juros, está trabalhando contra todos os céticos, mas também está enfrentando uma maré difícil. Muitos aumentos não vão responder à taxa de juros. Por isso, a inflação pode chegar a 9,0% (em 2015). Daqui a pouco, pode ter mais um aumento na gasolina, que já está defasada. O governo também está precisando de receita, então há aumento de impostos, que, de alguma forma, as empresas vão tentar repassar. Isso torna ainda mais demorado, difícil e sacrificante o combate à inflação, mas a coisa é essa mesma. No segundo semestre, a gente já vai ver algum resultado, sobretudo na inflação de serviços. Na inflação de bens duráveis é mais rápido ainda, porque os estoques estão aí. A combinação de políticas é propícia para a diminuição da inflação.

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