Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

'A princípio, somos contra o novo aumento de impostos', diz Luiza Trajano

Para diretora-presidente da rede varejista Magazine Luiza, saída da crise depende de união entre políticos, empresários e sociedade

ANTONIO PITA, Agência Estado

18 Setembro 2015 | 15h01

A empresária Luíza Trajano se disse contra o novo aumento de impostos proposto pelo governo no início da semana, como a retomada da CPMF. Diretora-presidente da rede varejista Magazine Luiza e presidente do Instituto de Desenvolvimento do Varejo (IDV), a executiva avalia que o País registra o mais baixo índice de confiança já visto, mas defendeu a necessidade de ajuste. Segundo ela, a saída da crise depende de "choque de gestão": "Temos a obrigação de não ser vira-lata e falar bem do que dá certo".

"O ajuste é necessário, mas o aumento de impostos é que estamos estudando. O (Joaquim) Levy está estudando, todo mundo está estudando o que seria bom para o Brasil e não seria prejudicial para nós e para o desenvolvimento. Sabemos que o ajuste é necessário, mas a princípio somos contra o aumento de impostos", afirmou a empresária, aliada da presidente Dilma Rousseff.

Para Luíza, a atual crise "não é a primeira nem a última" vivida pelo País, mas a saída depende de união entre políticos, empresários e sociedade. "Não tem outra forma. Só com a união em torno de um propósito maior que não os interesses de seus quintais, mas o interesse do Brasil", completou a empresária, premiada pela Associação Comercial do Rio de Janeiro.

"Toda crise tem um fim. Tenho que olhar isso (o ajuste) como o fim. Não é a primeira crise que vivemos e não vai ser a última, mas misturou política e economia. Meu discurso é o mesmo de muitos empresários e pessoas de bom senso, só com uma grande força de união é que vamos conseguir sair dessa", avaliou.

Além da união, a empresária defendeu que o País precisa de um "choque de gestão, fazer mais com menos", tanto no setor público quanto entre as empresas. Luíza exaltou o mercado varejista no Brasil, mas disse ser necessário retomar a confiança. "O índice de confiança do consumidor está o mais baixo que já vivi até hoje, por conta de todas as notícias e problemas que vivemos."

"Não posso aceitar que o País não tem mais consumo. Só 8% têm televisão de tela plana, e ainda temos 23 milhões de casas para construir para que as pessoas possam ter dignidade. Não falo de excesso de consumo, mas daquilo que todo mundo nesta sala tem. Isso é dignidade, e temos muita gente para ter isso ainda", completou a executiva.

Para a retomada, Luíza disse ser necessário "ações concretas". A empresária, que assumiu em junho a presidência do Conselho Público Olímpico, órgão do governo federal responsável pela organização dos jogos, também defendeu os investimentos para o evento como oportunidade para o País.

"Temos a obrigação de não ser vira-lata. É preciso começar a falar bem das coisas que dão certo, falar bem das Olimpíadas. Não tem nada que traz mais dinheiro para a economia que o turismo, desde o táxi, artesanato, até o dono de hotel", disse a empresária em seu discurso a empresários cariocas. "Peço a vocês que se unam. Políticos, empresários e cidadãos. Pensar não nas eleições, não na sua cidade, mas em construir o país que todos merecemos", concluiu.

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