A princípio, Brasil pode dispensar acordo com FMI, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, admitiu na noite desta sexta-feia que o Brasil pode, a princípio, dispensar a renovação de um acordo com o FMI. Uma decisão final, segundo ele, será tomada em outubro. "Não é adequado nem para o Fundo nem para o Brasil fazer um acordo quando ele é desnecessário. Não traz ganhos reais e eficazes para o Brasil", disse.As reservas externas brasileiras que, segundo Palocci, estão em torno de US$ 47 bilhões, indicariam uma posição "muito segura". Até porque, de acordo com ele, não há possibilidade de o Brasil vir a enfrentar dificuldades externas no curto prazo. "Não há no horizonte expectativa de problemas que possam comprometer nossas reservas", afirmou. Palocci disse que vê estabilidade da economia, com taxas de juros e inflação em queda e redução do depósito dos compulsórios, além da ampliação do crédito. "Podemos até ampliar nossas reservas", afirmou.O ministro informou que já discutiu com representantes do Fundo que, na possibilidade de renovação, o acordo será diferente do atual "Na hipótese de termos um novo acordo, a pauta será diferente da do ano passado", afirmou, sem detalhar como seria essa nova pauta.Palocci afirmou que a partir de 2005 o governo trabalhará com superávits primários anti-cíclicos. Segundo ele, a medida, que foi proposta pela Lei de Diretrizes Orçamentárias e aprovada pelo Congresso, prevê que em momentos de retração econômica o governo poderá fazer mais investimentos e quando a economia estiver em expansão, a tendência será de o governo aumentar as reservas. "Vamos fazer rodar a roda da maneira inversa", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.