A produtividade no 'home office'

O home office é uma tendência irreversível. As razões que fazem com que tenha vindo para ficar são basicamente duas: uma é a econômica e a outra é a tecnológica. A primeira diz respeito ao fato de o trabalho a distância permitir a redução do espaço físico da empresa. Além disso, a economia é gerada também ao eliminar o deslocamento do profissional da casa para o trabalho e do trabalho para casa. A outra razão é a tecnológica. Cada vez mais o desenvolvimento dos meios de comunicação faz com que as atividades presenciais sejam substituídas pelas virtuais. Nesse contexto, estudos mostram que 37% das corporações no País já utilizam o home office como uma de suas formas de trabalho. Pesquisas também revelam que muitas empresas ampliaram, nesses últimos anos, a adoção do trabalho a distância para um maior número de profissionais. Além disso, a questão jurídica, desde 2011, já deixou de ser um entrave à prática do home office no Brasil, como mostrei neste espaço em 7/1/2015.

Sérgio Amad Costa, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2016 | 05h00

Porém, uma das grandes preocupações das companhias que adotam o home office é a produtividade. Fala-se muito de como o profissional, em geral, deve fazer para ser produtivo trabalhando em casa. Mas pouco se diz sobre os cuidados que devem ter aqueles que trabalham de forma remota e que têm filhos de até 9 anos de idade. Estes, mais do que aqueles que não têm criança em casa, precisam estar muito atentos a algumas questões comportamentais, para que o serviço a distância não se torne estressante e que o trabalho seja produtivo.

Entre várias, assinalo aqui quatro condutas que a mãe ou o pai que trabalha em casa deve adotar. Uma é que as pessoas, inclusive as crianças, que convivem com o profissional, devem estar cientes de que, quando ele ou ela está em casa, durante a semana nos horários de trabalho, não é dia de folga, mas sim de trabalho. Caso contrário, todas as atividades domésticas, no horário de seu serviço, vão ser “despejadas” sobre seus ombros durante o expediente no lar.

Outra é estar bem claro para o profissional que ele tem uma jornada de trabalho a ser cumprida durante o dia. Os filhos também precisam saber dessa jornada. É necessário administrar o tempo para não ficar trabalhando nem a mais do necessário nem a menos. É comum, quando se trabalha em casa, misturar horas de lazer com as de trabalho e isso acaba gerando ansiedade, afetando a produtividade.

A terceira conduta está ligada à necessidade de buscar um espaço específico, próprio, para trabalhar. Um aposento, que seja transformado em escritório, é o ideal. Caso isso não seja possível, um canto na casa com uma pequena mesa, mas que seja só utilizada para o trabalho do pai ou da mãe. Este espaço deve ser respeitado pelas crianças. E esse local pode ser mínimo mesmo. Hoje, praticamente tudo que é necessário para o trabalho está no computador. Em geral, apenas ele precisa ficar sobre uma mesa.

Finalmente, uma conduta relacionada à disciplina que o profissional precisa ter para realizar o trabalho e ao mesmo tempo dar atenção aos filhos. A mãe ou o pai necessita, em vários momentos, não atender às solicitações da criança. E isso é difícil. Mas só assim a tarefa estará sendo realizada com esmero e a criança receberá uma educação adequada. Vale lembrar que um filho pequeno que é atendido 24 horas por dia pelos pais se tornará uma pessoa com dificuldades para aceitar os limites que a sociedade impõe para todos nós, no convívio social.

O fato é que o home office já é uma realidade no País. Estima-se que 12 milhões de pessoas, no Brasil, trabalham em casa. Há os que trabalham a distância cinco dias da semana e há os que trabalham um ou dois dias de forma remota e os outros dias da semana estão presentes no escritório da empresa. Mas, seja qual for a jornada, é preciso que os pais, atuando em home office, estejam preparados para que o labor a distância seja produtivo e que nada conflite com uma boa educação para os seus filhos.

É PROFESSOR DE RECURSOS HUMANOS E RELAÇÕES TRABALHISTAS DA FGV-SP

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