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A qualidade do crédito pode deteriorar com a expansão

O aumento do volume de crédito costuma ser acompanhado pela queda na qualidade, elevando, assim, os riscos de inadimplência. Os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) parecem desmentir isso, pois o que se verifica é que a inadimplência, em março, ficou em 5,6% no geral - estável para as pessoas jurídicas (PJs), em 4,1%; e acusando pequena redução, de 7,6% para 7,4%, para as pessoas físicas (PFs).

O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h07

Pode-se duvidar da afirmação divulgada por um importante banco de que o atraso no reembolso dos empréstimos está aumentando.

É importante notar que foi nos últimos dias que se verificou o crescimento da inadimplência - que obriga os bancos a aumentarem as provisões - e que a inadimplência ocorre depois de um certo tempo, porque a ofensiva do governo para aumentar o crédito teve pouco efeito em março. É preciso analisar os dados para ver os resultados mais adiante.

Cabe assinalar, em primeiro lugar, que, para as PFs, o aumento do crédito com recursos livres foi de apenas 0,6%, enquanto com recursos direcionados, essencialmente do governo, foi de 2%. Os bancos públicos aumentaram em 1,7% seus empréstimos ao setor privado; e os bancos privados nacionais, em apenas 1,3%.

No exame das operações do sistema privado, verifica-se que em março o aumento do estoque de empréstimos foi de 2,2% na margem, para as PJs, e de 0,8%, para as PFs. Porém, para as concessões acumuladas, o aumento foi muito superior: de 24,8% e de 9,6%, respectivamente. Isso indica que o apelo do governo para aumentar o volume do crédito foi atendido, mas esse aumento levou talvez a uma redução da qualidade dos créditos que já se nota em abril.

Os bancos começaram a reduzir seus spreads, de 35,8% para 35,1%, para as PFs; e de 18,8% para 18,4%, para as PJs. Convém notar, todavia, que a taxa de aplicação apresentou uma queda mais forte, de 28,6%, em fevereiro, para 27,7%, em março.

Essa evolução continua a se verificar no início de abril (até o dia 12): as concessões aumentando em 2,8% e o spread se reduzindo de 0,5%, permitindo que a taxa de juros caia para 27,1%, para as PJs, e 44%, para as PFs.

No entanto, as instituições financeiras estão um pouco assustadas com a política agressiva da Caixa Econômica Federal no caso do crédito imobiliário, que é acompanhada agora por créditos destinados à compra de mobiliário e de outros bens necessários à ocupação da habitação. Isso leva os bancos a serem mais prudentes.

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