A quatro meses da Copa, hotéis venderam 40% da oferta, afirmam redes

Fórum de Operadores Hoteleiros no Brasil, que responde por 18% dos leitos do País, avalia que demanda está aquém do esperado

Gabriela Lara, Agência Estado

13 de fevereiro de 2014 | 16h36

SÃO PAULO - A quatro meses do início da Copa do Mundo, 25 das maiores redes hoteleiras do Brasil têm 40% dos apartamentos ofertados nas cidades-sede vendidos para o período da competição, de acordo com o Fórum de Operadores Hoteleiros no Brasil (FOHB). O número corresponde a mais de 185 mil diárias comercializadas nos dias de jogos e vésperas. Outros 20% dos apartamentos estão bloqueados - ou seja, com reservas feitas, mas não confirmadas - e 40% estão disponíveis.

As redes hoteleiras representadas pelo FOHB englobam 600 hotéis em operação e respondem por 18% dos apartamentos em todo o setor no País. Segundo a entidade, o balanço divulgado nesta quinta-feira, 13, mostra que a demanda prevista para o evento está aquém do esperado e, consequentemente, parte da oferta hoteleira, ampliada nos últimos anos, ficará ociosa. "Nós brasileiros às vezes temos a impressão de que a Copa do Mundo vai gerar maior atividade e que todo mundo virá atrás de sua seleção, mas não é bem assim. As pessoas vão assistir de casa. Os espanhóis e outros europeus, por exemplo, não virão por causa da crise", afirmou o presidente do FOHB, Roberto Rotter.

Segundo ele, a composição final da ocupação vai depender de questões ainda pendentes, como a definição da malha aérea e a capacidade do governo de vender o Brasil como um bom lugar para se visitar. Outro ponto importante é a Match, agência de viagens que a Fifa contrata para negociar pacotes para delegações, empresas e patrocinadores. Em janeiro de 2014, a Match já devolveu quartos reservados em hotéis em diversas cidades-sede, devido à baixa demanda. Em 20 de abril, a agência terá uma última oportunidade de mudar os pedidos. Se houver mais desistências, o número de apartamentos disponíveis na rede hoteleira pode aumentar.

Ao analisar a situação de cada cidade-sede, chama a atenção o caso de São Paulo, onde as redes hoteleiras do FOHB por enquanto têm 43,1 mil apartamentos vendidos para o período da Copa. O número é maior que o de outras cidades, como Rio de Janeiro, com 39 mil, e Salvador, com 13 mil. Mas, por ter uma oferta muito ampla, essas 43 mil unidades comercializadas representam apenas 21% do total. Ou seja, 79% dos apartamentos ofertados pelas redes do FOHB em São Paulo para a Copa ainda estão bloqueados ou livres.

De acordo com Rotter, o caso da capital paulista é explicado pelo que o setor chama de substituição de turistas. "Os visitantes corporativos deixarão de vir e darão lugar a turistas da Copa, que costumam ficar menos tempo na cidade, às vezes só um dia", explica. "Isso será muito visível em São Paulo. A cidade, comparando junho e julho de 2013 com junho e julho de 2014, terá uma perda no número de turistas corporativos", prevê.

Rotter destaca também que os turistas corporativos costumam gastar mais dinheiro do que os de lazer e estimulam toda uma cadeia produtiva. Segundo ele, em ano de Copa e eleições o turismo corporativo no Brasil deve ficar perto da estabilidade em 2014, com risco de queda, após crescer 15% por ano em 2013. "Se ficar estável este ano é um bom negócio", disse.

O presidente do FOHB acredita que a taxa de ocupação da rede hoteleira brasileira em 2014 ficará entre estabilidade e um recuo de 0,5%. "Isso por causa do aumento da oferta, mas também pela crise internacional, que prejudica muito, e pela demanda da Copa, que não deve corresponder às expectativas."

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