A queda das taxas de juros reduzirá a dívida pública

No mês de junho, o total da dívida pública federal cresceu 2,5% e a dívida interna, 2,65%. O elevado aumento desta foi devido à emissão de títulos no valor de R$ 10 bilhões para o BNDES. A dívida pública externa teve um crescimento bem inferior (0,16%), com US$ 44,06 bilhões, o que reflete, em parte, um maior cuidado para se endividar em dólares, levando em conta o aumento das taxas de juros e a grande flutuação da taxa cambial.

O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h09

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, a posição estimada da dívida externa do Brasil era, em junho, de US$ 302,8 bilhões, incluindo a dívida corporativa, que representa mais da metade do total da dívida externa, o que mostra a importância dessa parcela da dívida.

O crescimento da dívida interna no mês de maio deveu-se, na proporção de quase 50%, à apropriação positiva de juros. No mês seguinte, a situação melhorou, a emissão líquida ficou em R$ 34,77 bilhões e a apropriação de juros em R$ 13,76 bilhões. Mesmo levando em conta a importância da emissão para o BNDES, houve uma melhora em relação a maio, que se explica pela redução do custo da dívida interna, que caiu de 12,05 % para 11,95%, enquanto o custo da dívida externa aumentava de 32,19% para 33,46%, em razão da desvalorização do real. Deve-se assinalar a queda das taxas de títulos prefixados que, de 9,47%, em 1.º de junho, caíram para 8,84% no último leilão do mês.

Segundo o coordenador do planejamento, a expectativa é de uma queda do custo para 10,5% até o final do ano, em função da troca de papéis indexados pela taxa básica de juros por outros indicadores. Trata-se de um fator importante, pois, não somente se pagará menos, como também será possível reduzir a emissão de títulos para pagar esses juros.

Registrou-se uma ligeira diminuição da idade média dos títulos da dívida externa, enquanto o prazo médio da dívida pública total caiu de 3,81 anos para 3,78 anos. A participação dos títulos da dívida pública que vencem em 12 meses cresceu de 27,45% para 28,01%.

Não há dúvida de que o quadro da dívida pública está piorando em função da crise internacional. É necessário cuidar para que os parâmetros atuais da dívida não piorem. Essa preocupação ganha corpo quando se sabe que a ideia de reduzir o montante do superávit primário está se ampliando e até já se divulga que é melhor sacrificar esse superávit para poder aumentar os investimentos. A situação dos países da União Europeia deve servir de alerta e lição.

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