A queda dos IEDs afeta as contas externas

As contas externas no mês de junho apresentam forte deterioração em relação ao mês anterior, com um déficit das transações correntes de US$ 5,180 bilhões que foi coberto pelo aumento da conta capital com recursos voláteis e sobre os quais se pagam juros.

, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

O déficit das transações correntes de junho foi 156,4% superior ao de maio, é o maior já registrado para o mês de junho e o segundo maior na história brasileira.

Em maio esse déficit havia sido largamente coberto pelos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs), mas em junho os IEDs representaram apenas 13,6% do déficit. Acresce que as despesas com a remessa de lucros e dividendos em maio foram ainda inferiores aos IEDs, enquanto, em junho, foram 5,6 vezes maiores.

A balança comercial apresentou um resultado 33,8% menor que o de maio em razão de uma ligeira queda das exportações e um aumento das importações. Mas foi especialmente o déficit dos serviços e rendas, com aumento de 33,9%, que afetou o resultado das transações correntes.

Os Investimentos Estrangeiros Diretos apresentaram queda de 89,4% em relação a maio. Não é apenas a conjuntura internacional que explica essa queda, mas também novas atitudes do governo brasileiro que afugentam esse capital - como no caso da exploração de petróleo - e um novo tom nacionalista que afasta a participação direta estrangeira dos grandes projetos.

Não devemos estranhar que as remessas de juros e dividendos, num só mês, tenham crescido 40,8%. Além do efeito calendário, a lentidão da recuperação nos países investidores reduz os investimentos no exterior e aumenta a remessa de lucros.

O aumento do déficit das transações correntes foi acompanhado por um aumento da conta capital, mas com recursos que podemos considerar de risco. Enquanto os IEDs caem, os investimentos em carteira continuam elevados, como as aplicações em renda fixa ou em ações, muito voláteis. Mas os empréstimos externos, que financiam nosso desequilíbrio externo, aumentaram, segundo as primeiras estimativas, US$ 6,8 bilhões em junho, atingindo US$ 225 bilhões e se aproximando do valor de nossas reservas.

Não se pode prever que, neste ano, o Banco Central tenha de usar suas reservas para cobrir o déficit de transações correntes, projetado em US$ 50 bilhões. Todavia, é preciso que nos preparemos para isso no futuro, caso não mudemos a política de comércio exterior que favorece demais as importações.

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