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John Moore/Getty Images/AFP
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A raposa no galinheiro? Davos aguarda a chegada de Trump

O presidente americano, que deve chegar ao Fórum Econômico Mundial no fim da semana, já vem provocando muita expectativa, inquietação e muita agitação entre pessoas que o consideram um outsider

Andrew Ross Sorkin, The New York Times

23 de janeiro de 2018 | 19h25

DAVOS - À medida que prossegue a reunião anual do Fórum Econômico Mundial esta semana, as conversas entre líderes empresariais e políticos nos Alpes são dominadas por um assunto: o que dirá o convidado que vem pela primeira vez ao encontro, Donald Trump?

O presidente, que deve chegar a Davos no fim da semana, já vem provocando muita expectativa, inquietação e muita agitação entre pessoas que o consideram um outsider.

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Davos sempre foi local de encontro das elites que acreditam na globalização, na mudança climática e no livre comércio. O elenco de líderes de multinacionais este ano inclui desde diretores executivos como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, a filantropos como Bill Gates e políticos como Angela Merkel, chanceler alemã. E há anos atrai artistas, como Bono ou Matt Damon.

Davos é tanto um encontro rápido em grande altitude para os “cognoscenti” e uma reunião de cérebros, com painéis de discussão sobre temas como diversidade de gênero, assédio, inteligência artificial e meio-ambiente. O tema oficial deste ano é “Criar um futuro compartilhado em um mundo fraturado”.

Tudo isto faz de Trump o Homem anti-Davos.

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“Trump é tão detestado pelas elites da Europa Ocidental como o é pelas elites de Manhattan”, afirmou Niall Ferguson, membro da Hoover Institution, na Universidade de Stanford, e um antigo participante do Fórum de Davos, apesar de este ano não comparecer ao encontro. “E não é apenas pessoal. Suas posições políticas sobre comércio e imigração são consideradas blasfêmias em Davos, como também suas observações desdenhosas sobre a África.

E de fato, Trump conduziu sua campanha populista contra os plutocratas que povoam este fórum a cada ano. Seu ex-estrategista Stephen Bannon reconheceu isto durante a eleição quando disse que a classe trabalhadora americana “estava cansada de ter de obedecer às ordens do que chamou de partido de Davos”. Dimon, um participante de longa data de Davos, descreveu o evento como um lugar “onde bilionários dizem aos milionários o que a classe média sente”.

A grande pergunta é como a campanha “America em primeiro” lugar será representada aqui? O palco de Davos será uma oportunidade para ele oferecer uma versão ao vivo das suas postagens no Twitter e denegrir publicamente os participantes? Ele já mostrou que pode ser hostil às alianças tradicionais, quando censurou as nações europeias por não pagarem de modo equitativo sua cota para a OTAN. Ou ele usará a reunião para congregar os líderes? Abordará o protecionismo e o livre comércio?

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A presença de Trump no evento é considerada uma faca de dois gumes por muitos participantes.

“A presença de Trump é empolgante para os participantes à medida que mostra a eles que Davos ainda é o lugar em que devem estar”, disse Ian Bremmer, presidente e fundador do Eurasia Group.

E embora Trump possa marginalizar grande parte do grupo intelectual, muitos diretores executivos presentes se tornaram grandes beneficiários da reforma fiscal feita por ele, uma reforma que gerou instantaneamente lucros enormes, remunerações maiores e impulsionou a bolsa de valores.

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“Muita gente aprecia a sua política fiscal”, afirmou Bremmer, mas ele não acredita que essa reforma fiscal transformará a plateia em partidários do presidente. “Em Davos eles o verão em primeiro lugar através de uma lente internacional. Se tiver 5% de aprovação entre os participantes, acho que será generoso”.

Trump jamais foi convidado a Davos em toda sua carreira no setor imobiliário e de entretenimento. Apesar de ser um homem de negócios e empresário,  jamais integrou o círculo dos 500 diretores executivos da Fortune que costumam ir a Davos e muitos o consideram uma espécie de apresentador de circo.

E embora o Fórum sempre convide o presidente dos Estados Unidos,  é raro que um compareça. Muitos organizadores ficaram surpresos quando Trump aceitou o convite. Ele será o primeiro presidente americano a ir a Davos desde Bill Clinton, que participou do encontro em 2000.

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Talvez Trump siga os passos de um dos seus heróis, Ronald Reagan. “Quando o presidente discursou no fórum em 1982, por vídeo via satélite, sua presidência saía de um período conturbado”, afirmou Adrian Monck, membro do Fórum Econômico Mundial.

Trump terá a oportunidade de usar seu poder como presidente dos Estados Unidos para mostrar que entende como a economia global está interconectada. Mas não tenha ilusões.

No final da semana passada seu secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, que também irá a Davos pela primeira vez, procurou minimizar a ideia de que de algum modo eles irão se relacionar com a classe bilionária.

“Se você examinar a lista, verá que há muitos líderes mundiais e muitos do mundo financeiro e empresarial. É uma agenda econômica importante”, disse ele. E com um sorriso, acrescentou: “Não sabia que essa era a elite global”. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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