A receita para o miojo ferver no espaço

Em janeiro, Nissin e F/Nazca vão tentar cozinhar macarrão dentro de um foguete

Cátia Luz e Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2014 | 02h04

Há quatro anos, a agência F/Nazca Saatchi & Saatchi criou para a Nissin-Ajinomoto o "Dia do Miojo", comemorado sempre em 25 de agosto. Depois de fazer uma escola de culinária em três minutos - referência ao tempo de preparo do macarrão instantâneo - e incluir o produto por um dia no cardápio de restaurantes renomados, este ano não haverá nada de prático no "aniversário", que será marcado apenas por uma promessa ambiciosa: em janeiro, o miojo embarcará numa viagem espacial.

O projeto, batizado de Missão Miojo, surgiu em uma sessão de brainstorming da F/Nazca. Mas os criativos sabiam que só sobrevoar a Terra não basta mais, até porque marcas vêm fazendo aparições em foguetes e estações espaciais há décadas (leia quadro abaixo). Era preciso ir além. Por isso, a meta definida foi preparar uma receita de miojo que voltaria ao planeta pronta para ser consumida.

É uma tarefa complexa e, por isso mesmo, o diretor geral de criação da F/Nazca, Eduardo Lima, admite que ela não pôde ser executada hoje, na data que a agência mesmo inventou. Neste momento, a empresa trabalha para garantir que a ideia de enviar o miojo para o espaço em um foguete e depois ejetar uma cápsula com a receita de volta ao planeta para cozinhar o macarrão no retorno à atmosfera seja exequível. Até agora, diz o publicitário, os cientistas americanos contratados para a missão já fizeram seis simulações em terra - todas com êxito.

Além do lançamento da "Missão Miojo", que ocorre hoje, os internautas que curtem a página do produto no Facebook poderão acompanhar passo a passo a preparação da viagem espacial do macarrão instantâneo. Ao longo dos próximos meses, serão publicados vídeos que vão mostrar o status da missão. Segundo o Estado apurou, a receita que será preparada dentro do foguete foi elaborada pelo chef de cozinha Emannuel Bassoleil. A ideia da Nissin-Ajinomoto, ainda não confirmada, é que a criação de Bassoleil dê origem, em 2015, a uma edição especial de miojo.

A Nissin-Ajinomoto não revela o quanto vai gastar na empreitada, mas diz que sua verba de marketing em 2015 será 110% superior à aplicada este ano. O custo de organizar a viagem espacial supera a de uma ação comum, segundo a F/Nazca, mas a "missão" tem a seu favor o caráter viral, que costuma gerar mídia espontânea. Uma campanha recente da italiana Lavazza virou até reportagem no site da revista Forbes, por exemplo.

Apelo popular. As ações de marketing ousadas são uma forma de garantir que um produto muito conhecido pelo público - e que continua basicamente o mesmo há décadas - acabe não perdendo espaço. Embora o principal público do macarrão instantâneo seja formado pelas classes C, D e E, manter certo glamour é importante, diz Renato Meirelles, presidente do instituto Data Popular. "Hoje, o preço não pode ser mais o único atrativo para esse público", afirma. "O que conta agora é o custo-benefício."

Mas apelo de valor se mantém. Segundo o gerente geral de marketing da Nissin-Ajinomoto, Toshiro Tsuboi, o preço médio do miojo no País é de R$ 1. No Nordeste, há uma versão mais barata, de R$ 0,70. Dados da Kantar apontam que o consumo do produto cresce 15% ao ano no Nordeste - o triplo da média brasileira. A Nissin montou uma fábrica em Pernambuco em 2012, que hoje trabalha 24 horas para atender à demanda.

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