A recuperação insuficiente da indústria paulista

Entre dezembro e janeiro, as vendas da indústria de São Paulo cresceram 7,1% e foram as principais responsáveis pela alta de 2% da produção industrial do País no mês. Não é fato isolado, pois em Minas Gerais, outro Estado em que a indústria tem grande peso, o crescimento mensal foi de 6,5%, mais que o triplo da média nacional, medida pelos indicadores da produção regional do IBGE. Mas a recuperação é insuficiente e, provavelmente, explicável apenas pela recomposição de estoques.

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2015 | 02h04

Ao comparar períodos mais longos, constata-se que a situação da indústria continua sendo difícil.

Entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015, a produção paulista caiu 5,4% e a mineira, 3,7%. E, no acumulado dos últimos 12 meses, São Paulo caiu 6,2% e Minas, 3,1%. Por esse critério, somente 4 entre 14 locais pesquisados apresentaram resultado positivo (Pará, Espírito Santo, Mato Grosso e Goiás).

Na comparação anual, a queda da indústria paulista foi generalizada (15 dos 18 ramos pesquisados), assim como a do Rio de Janeiro (queda em 12 das 14 atividades) e de Minas Gerais (10 entre 13 ramos de atividade).

Foi decisivo, para o recuo da indústria, o setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, que liderou as quedas em São Paulo, Minas e Rio de Janeiro. Mas também pesaram muito os setores de máquinas e equipamentos, produtos alimentícios e metalurgia. Em Minas, a produção de têxteis caiu 23,5% e a de fumo diminuiu 26,8%.

Ainda parece modesto o efeito da desvalorização do real sobre a indústria dos Estados em que o setor secundário é mais forte. Uma exceção é o Espírito Santo, que teve crescimento mensal de 4,3% e de 18,2% entre janeiro de 2014 e janeiro de 2015. Os indicadores passados, no entanto, foram piores, sugerindo que os períodos de comparação foram favoráveis ao Estado (a produção do setor extrativo subiu 31,2% e da metalurgia, 41,8%).

Uma recuperação mais forte da indústria depende de uma retomada das exportações de manufaturados, em especial para os Estados Unidos e para a Europa. A China importa poucos manufaturados brasileiros e a Argentina está economicamente frágil.

Os prognósticos para a indústria brasileira continuam ruins. Os indicadores do consumo de energia elétrica, por exemplo, declinaram entre janeiro e fevereiro, afetando a Região Sudeste, da qual a indústria dependeria para se recuperar.

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