A recuperação pegou, dizem ministros em Davos

Empresas dos Estados Unidos e do Reino Unido têm US$ 8 trilhões aplicados em fundos e US$ 3 trilhões em caixa para financiar o crescimento

Rolf Kuntz, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2011 | 00h00

A recuperação global, iniciada em 2010, vai ser consolidada em 2011, embora haja muita arrumação por fazer nos países mais avançados e o desemprego continue elevado. O crescimento pegou, disse a ministra de Economia e Finanças da França, Christine Lagarde, resumindo as perspectivas da União Europeia.

Um dia antes, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, havia mostrado otimismo sobre a reativação americana - ritmo anual de 3,2% no trimestre passado - e as possibilidades de ajuste das contas públicas. Lagarde e seus colegas da Alemanha, do Reino Unido e da Índia participaram ontem, junto com outros especialistas, de um painel sobre as perspectivas de reativação promovido pelo Fórum Econômico Mundial.

As empresas dos EUA e do Reino Unido têm muito dinheiro para investir: cerca de US$ 8 trilhões em fundos e uns US$ 3 trilhões em caixa, segundo o executivo principal do Barclays Bank, Robert Diamond. As companhias americanas detêm dois terços do dinheiro em caixa. Também o ministro do Tesouro do Reino Unido, George Osborne, mencionou o grande volume de recursos à disposição das empresas. Falta a decisão de investir e disso dependerá, em boa parte, a redução do desemprego.

Os preços das matérias-primas e a inundação de dólares desencadeada pelo banco central americano são preocupações tanto para os avançados quanto para os emergentes. Para a China, a maior ameaça é a inflação, disse o economista Yu Yongding, membro sênior da Academia Chinesa de Ciências Sociais.

Bolha. Também a bolha imobiliária pode causar dificuldades, mas há, acrescentou, "uma tremenda demanda de habitação". O crescimento econômico, 10,3% no ano passado, deverá diminuir este ano (o FMI prevê 9,6%) e acomodar-se em 8% ou abaixo disso nos próximos anos, acrescentou. Não há problemas fiscais a curto prazo, mas o país terá de seguir um novo modelo de crescimento, mais dependente do mercado interno. Um câmbio chinês mais flexível interessa não só aos EUA, mas também à China, segundo o economista.

A França deve crescer entre 1,6% e 1,7% neste ano, segundo Lagarde. A expansão alemã deve ficar em torno de 2,2%, de acordo com o ministro Wolfgang Schäuble. São as mesmas estimativas divulgadas na semana anterior pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na projeção do Fundo, a economia do mundo rico vai crescer 2,5% neste ano e 2,5% em 2012. O crescimento do grupo foi maior no ano passado (3%), mas a boa notícia é a continuação do movimento. A recessão ficou para trás.

Há uma enorme tarefa de ajuste pela frente. A dívida pública das economias mais desenvolvidas continuará preocupando o mercado. A redução do déficit é uma precondição do crescimento sustentável, disse Schäuble. O ajuste não impedirá a manutenção do crescimento, concordou Lagarde. Na zona do euro, o déficit médio, segundo ela, está em torno de 6,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Na média, a dívida equivale a uns 85% da produção bruta e os problemas estão sendo enfrentados.

O governo conservador do Reino Unido, eleito no ano passado, tentará combinar o crescimento com um amplo programa de reformas, disse o ministro do Tesouro, George Osborne: redução do déficit fiscal, corte de impostos e renovação de setores importantes para a competitividade, como a educação.

A Índia, como outros emergentes, continuará crescendo mais que os países desenvolvidos. A expansão deve ficar em 8,5% neste ano fiscal (até março), segundo o vice-presidente da Comissão de Planejamento, Montek Singh Ahluwalia. Mas a inflação também está rodando em 8,5% e essa é a má notícia. Embora cresçam com maior rapidez, as economias emergentes, observou o economista, não estão desconectadas do mundo desenvolvido.

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