A redução da dívida pública deveu-se a um mau motivo

Em janeiro, mês recordista em vencimentos de títulos públicos federais, a dívida mobiliária reduziu-se em R$ 76,5 bilhões (3,6%), de R$ 2,122 trilhões para R$ 2,046 trilhões. Isso ocorreu em face das dificuldades do governo para colocar novos títulos na praça.

O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2014 | 02h09

O ambiente para a colocação de papéis do governo federal, em janeiro, era ruim. Na verdade, esse ambiente já se havia deteriorado, ao longo do ano passado, quando os títulos federais de longo prazo, medidos pelo valor de mercado, deram, em média, forte prejuízo para os aplicadores. Nos últimos 12 meses, até janeiro, o Índice de Mercado Anbima (IMA Geral), que reflete as cotações dos papéis oficiais, registrou uma rentabilidade negativa de 2,7%.

No mês passado, os problemas continuaram - e com mais intensidade -, admitiu o coordenador-geral da Dívida Pública do Tesouro, Fernando Garrido, ao Estado.

Se quisesse forçar a venda de papéis, o Tesouro teria de pagar maiores juros aos investidores. "Se não há definição clara das taxas, se evita fazer a venda, por que poderíamos pagar mais do que seria justo?", questionou Garrido. A posição do Tesouro é defensável. O problema é a combinação de oscilações do mercado com a desconfiança na política econômica do governo.

Os vencimentos de papéis federais, em janeiro, somavam R$ 129,4 bilhões, enquanto as emissões foram de R$ 35,3 bilhões. Venceram R$ 127,4 bilhões em títulos prefixados (LTNs e NTNs), mas as emissões novas não chegaram a R$ 21,3 bilhões. Com isso, o peso dos prefixados no estoque da dívida mobiliária interna recuou de 43,3%, em dezembro, para 39,9%, em janeiro. Enquanto isso, aumentava de 20% para 21,3% o peso dos papéis corrigidos por índices de preço e dos títulos com taxa flutuante (estes são os que o Tesouro Nacional menos quer colocar, porque são remunerados pela taxa Selic).

Os bancos foram os principais vendedores dos papéis da dívida pública, no mês passado. Diminuíram seu grau de exposição aos papéis federais em R$ 58 bilhões. Enquanto isso, os investidores externos ampliavam sua participação na dívida mobiliária brasileira, nos últimos 12 meses, em R$ 72 bilhões, na tentativa de obter lucros com a elevação da taxa básica de juros.

Reduzindo a dívida, o Tesouro pagará menos juros aos aplicadores em títulos públicos. Mas essa redução só ocorreu pelo desinteresse dos aplicadores em aceitar os juros oferecidos.

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