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A reinvenção da televisão

A televisão vive um ciclo acelerado de mudança tecnológica. Na época da TV analógica, um aparelho costumava durar dez anos. As mudanças - como a passagem do preto e branco para as cores e o surgimento do controle remoto - levavam décadas. Com a TV digital, tudo isso mudou. A televisão entrou no mesmo ritmo de evolução dos microcomputadores, com lançamentos pelo menos anuais e queda de preços e obsolescência aceleradas.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

13 de janeiro de 2013 | 02h09

Nos seis últimos anos, acompanhamos o lançamento de aparelhos digitais de alta definição, de alta definição plena ("full HD"), 3D com óculos ativos (que precisam de bateria), 3D com óculos passivos (mais baratos, sem bateria), de LED (com tela mais fina), conectadas à internet e com sensores de voz e gestos.

A Consumer Electronics Show (CES), maior feira de eletrônicos do mundo, realizada na semana passada em Las Vegas, trouxe mais novidades. A grande atração foi a tecnologia Oled, com telas ainda mais finas, mais nitidez e contraste e menor consumo de energia. Fabricantes apresentaram televisores curvos, como algumas telas de cinema. As chamadas televisões de 4K têm quatro vezes mais resolução (quantidade de pontos que formam a imagem) do que a alta definição atual.

Essas mudanças chegam até a trazer certa angústia ao consumidor. Para quem estava acostumado a trocar o televisor a cada década, é difícil de aceitar que o aparelho esteja obsoleto em menos de um ano. Mas, por mais que a imagem se torne melhor a cada lançamento, no entanto, não é aí que acontece a grande revolução digital da televisão. A maior mudança está na forma como as pessoas assistem à televisão. A possibilidade de ver o programa que quiser, na hora que quiser, liberta o espectador, e representa um grande desafio aos canais de televisão.

A organização do conteúdo em canais com grade de programação foi resultado de uma limitação tecnológica que já não existe mais. Os canais para transmissão da TV aberta eram um bem escasso, e a programação foi estruturada para tirar o melhor proveito dessa escassez. Para se ter uma ideia, o canal de 6 MHz usado pela emissora de televisão aberta para transmitir sua programação tem capacidade equivalente a cerca de 19 megabits por segundo (Mbps). É pouco.

Atualmente, é possível contratar um acesso residencial de banda larga com 100 Mbps. Não é barato, mas já dá para ter em casa uma conexão com mais de cinco vezes a capacidade do canal da emissora de TV. A barreira tecnológica à transmissão personalizada de programas ficou para trás. Deixou de fazer sentido ver um vídeo na hora determinada pelo canal.

No ano passado, participei de um evento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), em Brasília. Perguntei a José Félix, presidente da Net, se a abertura do mercado de TV a cabo era uma ameaça à empresa. No fim de 2011, foi promulgada uma nova lei de televisão por assinatura, e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retomou a venda de licenças de TV a cabo, que ficou paralisada mais de uma década.

Félix disse que não, porque, se por um lado as novas licenças aumentam a concorrência para a Net, por outro permitem que a empresa expanda sua área de atuação. Segundo ele, a grande ameaça são os serviços "over the top". Esses serviços de vídeo via internet, como Netflix e YouTube, usam a infraestrutura das empresas de banda larga para distribuir seu conteúdo.

Não é por acaso que a audiência da TV aberta vem caindo. O total de aparelhos ligados entre 7h e meia-noite, segundo o Ibope, caiu de 41,7 pontos em 2011 para 40,1 pontos no ano passado. Isso não quer dizer, porém, que o restante dos televisores esteja desligado. Quer dizer que não estava ligado na TV aberta.

Alguém pode dizer que esse cenário de vídeo fora da grade de programação vem crescendo graças à pirataria e ao desrespeito ao direito autoral. Cada vez menos. O avanço da TV conectada e dos serviços de vídeo sob demanda - como o Netflix ou o próprio Now, da Net - é um desestímulo ao download de arquivos ilegais da internet.

O espectador quer comodidade, sem ser obrigado a ver alguma coisa por pura falta de opção.

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