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A República Galáctica contra-ataca

As gigantes de tecnologia têm enfrentado ofensivas antitruste e regulação em diversos países

Fábio Gallo*, O Estado de S. Paulo

28 de dezembro de 2020 | 05h00

A vida não está ficando nada fácil para as ‘big techs’. Conhecidas no mercado financeiro internacional como FAANGs, sigla que reúne as empresas Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google. As gigantes de tecnologia têm enfrentado ofensivas antitruste e de regulação em diversos países. Por outro lado, no mercado de capitais essas empresas vão muito bem. 

As big techs do mercado norte-americano cresceram mais de 800% entre dezembro de 2012 e dezembro de 2020, sendo que o S&P 500, no mesmo período, avançou 117% sem considerarmos as FAANGs.

Interessante é notar que essas empresas nos trouxeram um novo mundo de muita utilidade e que permite grandes avanços em vários campos da humanidade. A revolução digital vivida atualmente é intensa e provoca mudanças profundas no nosso estilo de vida, na cultura e na sociedade. 

Por outro lado, há interferência direta em nossa vida pessoal e profissional pela quantidade de dados e informações que passamos a lidar.

Outra face dessa moeda é que essas empresas conquistam as pessoas de maneira perversa, tornando-as verdadeiros fantoches, como é mostrado no filme As Redes Digitais de uma forma direta e dura. O modus operandi é fazer que acreditemos que temos vontade própria, mas, na verdade, agimos em resposta ao que os algoritmos nos induzem a fazer. 

Os modelos de negócio desenvolvidos e praticados por essas grandes corporações não têm nada de transparente para o público. É difícil entender como eles ganham dinheiro. Na prática, o dinheiro vem da venda de dados que são monetizados quando nós consumimos o que eles querem que compremos. Essas grandes empresas são os fornecedores. Os clientes são os anunciantes que usam as plataformas para vender os seus produtos ou serviços. E qual o nosso papel nesse teatro? O de objetos que acreditam que controlam esses canais, usando-os de “graça” para nossos interesses. 

As pessoas inocentemente não se dão conta que são os produtos nessa relação comercial. O que acontece no mundo digital não permite que possamos afirmar que somos livres em nossas escolhas. A questão aqui é: Isso tudo é ético? Provavelmente, muitos responderam que sim, outros que não. Mas é interessante notar que, quando temos acesso às pessoas que lideram essas empresas, elas nos parece ser de caráter, além de muito inteligentes e preparadas. Elas dizem estar agindo e sendo eticamente responsáveis. 

No entanto, nada que induza nossa vontade, tire nossa liberdade e iniba a nossa responsabilidade pode ser considerado ético.

Outra questão importante: na decisão de investimentos, esse tipo de questão deve ser levado em conta? Essa resposta é pessoal. Mas se quero ser integro, ao menos, devo refletir de maneira sincera sobre essa questão. Tenho de considerar que investir em determinada empresa, também significa que me associo e apoio essa organização.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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