A rolagem da dívida em títulos parece mais difícil

A deterioração da política fiscal obriga a área de administração da dívida pública mobiliária do Tesouro Nacional a agir com crescente cautela, para evitar uma elevação dos custos da dívida e preservar a confiança do mercado. Não é uma tarefa fácil - e a colocação de papéis federais já começa a ser afetada.

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2014 | 02h05

Em agosto, houve resgate líquido de R$ 18,8 bilhões de papéis federais e, em setembro, o montante foi de R$ 12,8 bilhões, segundo os relatórios mensais do Tesouro Nacional.

Em 2013, o resgate líquido de dívida mobiliária foi de R$ 87 bilhões e estima-se que chegará a R$ 110 bilhões neste ano, segundo o jornal Valor. Os investidores reagem à "deterioração recente dos indicadores fiscais, sobretudo de fluxo, como os resultados primário e nominal, e de crescimento econômico, bem como pela falta de sinalizações objetivas do governo acerca das correções de trajetória da política macroeconômica que serão adotadas no futuro próximo", notou o economista Bráulio Borges, da LCA.

Os investidores têm um olho na dívida bruta e outro na dívida mobiliária, que "está ficando mais curta e mais cara" - ou seja, seu perfil piora.

Entre agosto e setembro, o volume de títulos da dívida interna que vencerão em 12 meses passou de 26,52% para 26,92%, informou o Tesouro Nacional. A diferença de 1,4 ponto porcentual numa dívida de R$ 2,18 trilhões corresponde a R$ 30 bilhões. Além disso, quase R$ 590 bilhões vencerão em 12 meses. E R$ 329 bilhões em poder do mercado vencerão nos próximos quatro meses, segundo a reportagem citada.

A política do Tesouro Nacional é manter um colchão de recursos para quitar os vencimentos dos próximos três a seis meses. Não haveria, portanto, riscos imediatos, mas esse colchão já foi mais confortável. Outro problema é o custo da dívida - que se eleva tanto no curto prazo, por causa do aumento do juro básico fixado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, como no longo prazo, por causa do risco de piora da classificação de risco do País. Para não consumir seu colchão de liquidez, a cada mês o Tesouro precisa, pelo menos, rolar a parcela da dívida mobiliária que vence e colocar papéis suficientes para pagar ou fazer a apropriação dos juros - que foram de R$ 18,9 bilhões em setembro.

Os administradores da dívida parecem ter pouco a fazer para mudar esse quadro. A colocação de dívida estará pressionada até que se conheça a política fiscal à frente.

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