A rolagem da dívida pública foi difícil em outubro

O Relatório Mensal da Dívida Pública Federal de outubro confirmou a dificuldade crescente de rolagem dos títulos federais. Houve, no mês, um resgate líquido de papéis de R$ 48,7 bilhões e a dívida mobiliária reduziu-se 1,29%, de R$ 2,183 trilhões para R$ 2,155 trilhões. Há, de fato, uma forte concentração de vencimentos nos meses de outubro, mas também cresceu a volatilidade do mercado de títulos, num ambiente de acirrada disputa eleitoral pela Presidência da República. Foi o que levou os operadores do Tesouro a reduzir a oferta de títulos, deixando de atender os investidores que pretendiam remunerações mais elevadas.

O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2014 | 02h04

O coordenador-geral da dívida, Fernando Garrido, explicou: "Prefiro não fazer avaliação de impactos ou não do processo eleitoral. As conclusões ficam a cargo dos analistas".

Com a alta dos juros, o custo da dívida também cresceu, de 11,32% ao ano, em dezembro de 2013, para 11,54%, em setembro, e 11,63% ao ano, em outubro. Os aplicadores estrangeiros, que dão preferência a papéis com renda prefixada, aumentaram mais uma vez sua participação, de 19,32% da dívida, em setembro, para 20,38%, em outubro.

Os aplicadores não residentes detêm agora R$ 417,8 bilhões em papéis da dívida interna, elevando sua exposição em R$ 81,3 bilhões, relativamente a dezembro de 2013, ou 4,28 pontos porcentuais.

Em contrapartida, as instituições financeiras diminuíram a participação em 3,89 pontos porcentuais neste ano, de 30,23% para 26,34%. Só entre setembro e outubro a redução foi de 1,88 ponto (R$ 46,62 bilhões).

A subscrição de títulos públicos leva em conta fatores tais como a solvência e o risco País, as alternativas de aplicação e tendências das taxas. Embora sejam esperadas novas altas do juro básico no curto prazo, dada a pressão inflacionária, o mercado secundário de títulos públicos registra tendência de queda das taxas de longo prazo. Por exemplo, as NTN-B com vencimento em 2050, corrigidas pela inflação mais juros, chegaram a ser negociadas, na primeira quinzena de novembro, embutindo juros de 6,4% ao ano, porcentual que já foi reduzido, em meados da semana, para 5,7% ao ano.

Confirmada a queda das taxas de longo prazo, os operadores da dívida acertam ao cortar a oferta de papéis. Nos próximos leilões, ficará mais claro se há confiança na gestão fiscal. Ao afirmar que quer reduzir a dívida bruta, o novo titular da Fazenda toca no essencial: a solvência de longo prazo.

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