A saúde das contas externas
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A saúde das contas externas

Hoje, no quesito situação externa, o Brasil está bem tanto na foto como no filme, graças não só ao Plano Real, mas, também, à boa fase das exportações de commodities

Celso Ming*, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2021 | 20h12

Um dos pontos positivos da economia brasileira é a situação das contas externas.

Trata-se da medida do fluxo de moeda estrangeira para dentro e para fora do País. Nos anos 70 e 80, período da grande crise da economia brasileira, a maior fragilidade estava concentrada nessa conta. A saída de dólares acabou por corroer as reservas internacionais e o Brasil foi obrigado a recorrer a empréstimos de emergência com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a renegociar a enorme dívida externa contraída no período Geisel. Foi quando o então ministro da Fazenda, Mário Henrique Simonsen, advertia: “A inflação aleija; o câmbio mata”.

Essa calamidade ficou para trás, benefício que nem sempre é percebido. Isso é como respirar. As pessoas só dão valor ao ar quando enfrentam alta poluição ou problemas nas vias respiratórias. 

Hoje, no quesito situação externa, o Brasil está bem tanto na foto como no filme, graças não só ao Plano Real, mas, também, à boa fase das exportações de commodities, também chamada de período de bonanza.

As reservas externas, principal colchão contra crises externas, são de US$ 368 bilhões, o equivalente a 24 meses de importações, feitas as contas pela média do período que compreende o janeiro de 2020 até a segunda semana de dezembro de 2021; a balança comercial, onde são registradas exportações e importações, mostra expressivo superávit, apesar da retomada do consumo interno que se seguiu à crise.

No entanto, como mostra anexo do Relatório de Inflação (RTI) divulgado pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira, há coisas novas a considerar nesses fluxos de moeda estrangeira. Vamos a algumas delas.

 

O déficit projetado para este ano na Balança de Pagamentos (Transações Correntes) saiu de US$ 21 bilhões para US$ 30 bilhões. Esse aumento não preocupa. Acontece em razão de dois fatores: do aumento das importações em dólares, pois os preços de bens intermediários, como os dos fertilizantes, avançaram mais do que o previsto em consequência da desorganização das cadeias de suprimento; e da queda dos preços do minério de ferro e do aço.

As exportações continuam batendo recordes, graças ao vigor do agronegócio e à mineração de ferro, que indicam grande procura de alimentos e matérias-primas pela China.

Outro foco relevante aparece nos Investimentos Passivos. Os investimentos (que levam o nome técnico de Investimentos Diretos no País) continuam refletindo a baixa confiança nos rumos da política econômica. Já foram de US$ 102 bilhões em 2011, mas caíram a US$ 38 bilhões em 2020. E não devem passar dos US$ 52 bilhões neste ano, nível do qual não se espera grande melhora em 2022.

E, relembrando Simonsen, do mal da balança de pagamentos, o Brasil não corre riscos. 

*CELSO MING É COMENTARISTA DE ECONOMIA

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