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Celso Ming
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A seca continua. E então?

O inverno começou oficialmente na semana passada. E, com ele, reforçam-se duas ameaças com as quais a economia convive desde o início de 2014: risco de desabastecimento de água para consumo e risco de racionamento de energia elétrica – uma vez que 62% da matriz energética brasileira depende da produção das hidrelétricas cujos reservatórios operam hoje com volumes rebaixados.

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

28 de junho de 2015 | 03h00

Na área de energia, o risco imediato de apagão ou de racionamento em 2015 praticamente desapareceu e isso não tem a ver com falta de chuvas: “O risco caiu para zero. O que há é grande retração da demanda, tanto em consequência da recessão, que derrubou a atividade econômica, quanto em consequência do aumento das tarifas (alta média de 42% na conta de luz este ano)”, observa Bernardo Bezerra, diretor técnico da consultoria PSR, especializada em energia elétrica. 

Estatísticas da Empresa de Energia Elétrica (EPE) mostram que este ano, até o mês de abril, houve redução de 0,4% no consumo total de energia elétrica no País em relação ao mesmo período de 2014. O setor que mais puxou esta queda foi a indústria, que derrubou em 3,9% seu consumo. A EPE começou o ano projetando um aumento de 3,0% no consumo de eletricidade em 2015. Mas o comportamento do mercado a levou, já em fevereiro, a rever a estimativa para uma queda de 0,5% em relação ao consumo de 2014 (veja o Confira).

Os reservatórios do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) chegaram ao período seco apontando níveis mais baixos do que os que existiam no ano passado nesta mesma época (veja o gráfico). A queda do consumo não garante que o problema esteja afastado para 2016. “Há grande possibilidade de chegarmos a janeiro com volumes muito baixos nos reservatórios. O principal ponto de preocupação será o pico da demanda nas tardes de verão. As temperaturas estarão muito elevadas e o consumo tende a subir quando os aparelhos de ar-condicionado forem mais exigidos”, aponta Bezerra. 

Na área de abastecimento de água, o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, não vacila em afirmar que não há nenhuma condição que leve ao afrouxamento do consumo. “Os reservatórios do País não se recuperaram. Há uma tendência ao agravamento da situação de seca no semiárido em consequência da ação do fenômeno El Niño. No Sudeste, há uma tendência de que as condições atuais de restrição se mantenham.”

A situação de São Paulo é estável. Os reservatórios, observa Andreu, estão relativamente equilibrados, ou seja, seus níveis nem sobem nem descem. Ele lembra, no entanto, que o Sistema Cantareira não voltou nem ao zero do volume útil. “O abastecimento de São Paulo depende ainda do regime de chuvas. As obras que foram e estão sendo realizadas tendem a estabilizar o sistema, mas não o suficiente para retirar a região metropolitana da crise”, afirma. 

O professor do departamento de Engenharia Hidráulica da USP Rubem Porto acredita que a recuperação do sistema deve começar no início de 2016. “Os reforços da Sabesp devem ser suficientes para manter essa situação até 2016 sem a necessidade de rodízio”, observa.

Confira:

Previsão do crescimento do consumo de energia elétrica em 2015

Veja acima as estimativas revisadas da Empresa de Energia Elétrica para o consumo de energia no Brasil em 2015.

Escolha de Sofia

Se for confirmado o anúncio feito sexta-feira pelo primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, de que convocará um referendo dia 5 de julho sobre o plano da dívida, o povo grego terá de fazer uma escolha de Sofia. Terá de escolher em cinco dias se aceita o plano de forte austeridade e as reformas drásticas exigidas pelos credores ou se rejeita esse plano e empurra o País para o calote e para a saída do euro. Em caso de persistência do impasse, parece inevitável a decretação de feriado bancário até o dia do referendo, para evitar uma desonerada corrida aos bancos.

COLABORARAM LAURA MAIA E ÍTALO RÔMAN

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