A situação do emprego tem efeitos no comércio interno

A demanda doméstica depende de dois fatores essenciais: do nível do emprego e da remuneração dos assalariados. A Pesquisa Mensal do Emprego do mês de junho, que o IBGE divulgou ontem, mostra que os dois fatores continuam altamente favoráveis e que o rumo da demanda somente poderá ser modificado pela política monetária, que a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), a ser tomada no fim da tarde de hoje, definirá.

, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2011 | 00h00

As queixas da indústria e do comércio indicavam que haveria aumento do desemprego nos dois setores. Não é o caso: a pesquisa do IBGE, que abrange apenas seis regiões metropolitanas - as mais importantes em termos da atividade econômica -, mostra que a população ocupada (22,4 milhões, em junho) não variou em relação a maio e tem mais 512 mil pessoas do que em junho de 2010, isto é, mais compradores potenciais. O número de desocupados (agora 1,5 milhão) diminuiu em 172 mil pessoas ante junho do ano passado.

É uma situação de quase pleno emprego, que acarreta duas consequências importantes: favorece a obtenção de melhorias salariais, no momento em que se discutem os novos dissídios, e criará uma pressão sobre a demanda que pode se tornar inflacionária, se não for acompanhada de um processo de aumento proporcional da produtividade.

A situação do emprego varia conforme os setores de atividade. Os maiores aumentos em relação ao mês anterior ocorreram nos serviços prestados a empresas, na atividade imobiliária e intermediação financeira (4,5%) e na construção (2,6%); os menores, nos setores de educação, saúde e administração pública (-2%), assim como nos serviços domésticos. Na indústria e na distribuição de energia, água e gás houve aumento de 0,68%.

O rendimento por grupamento de atividade na análise mensal (que depende das datas de ocorrência dos reajustes) mostra que o setor do comércio teve o maior reajuste (4,9%), o dos serviços domésticos teve 2,8% e o dos serviços direta ou indiretamente ligados ao governo, 1,3%. No entanto, para melhor avaliar o impacto sobre a demanda doméstica, parece-nos que o melhor referencial é o rendimento efetivo real obtido no mês anterior ao da realização da pesquisa: mostra um crescimento de 9,2% em 12 meses, que nos dá ideia de como a demanda vai ser afetada.

Temos aí um quadro, para essas regiões, dos fatores que explicam a evolução da demanda, lembrando, ainda, que a atividade rural - não incluída na pesquisa - não é desprezível, dado o aumento de preços agrícolas.

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