16 de agosto de 2011 | 00h00
Nos Estados Unidos, desta vez não foi a liquidação de um banco que abriu a crise, mas a decisão da Standard & Poor"s de rebaixar o rating do país. O rebaixamento abriu a porta para novas dúvidas na economia norte-americana, que se concretizaram com as exigências dos republicanos de reduzir drasticamente o déficit do país. Apesar da decisão do Fed (o banco central norte-americano) de manter a taxa de juros baixíssima, tudo indica que a economia continuará em crise, não contando desta vez com o aporte de liquidez que representava a compra pelo Fed dos títulos da dívida norte-americana. Não se pode, pois, esperar uma reação positiva dos Estados Unidos para a compra de produtos brasileiros, especialmente produtos manufaturados.
A este quadro se acrescenta a crise dos países da União Europeia que enfrentam dificuldades para honrar os compromissos da dívida soberana. Todos os países do bloco estão engajados numa forte redução do déficit das contas públicas. Isso se está traduzindo por uma forte queda da atividade econômica que também afetará as exportações do Brasil.
A maior dúvida diz respeito à China, país do qual o Brasil se tornou totalmente dependente. A China certamente sentirá os efeitos de uma queda da demanda dos seus produtos nos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo, tem de enfrentar a inflação. Sua primeira reação será dar prioridade a seu mercado interno, o que, aliás, poderá criar novas tensões inflacionárias que poderiam levar o governo de Pequim a deixar sua moeda se valorizar. O crescimento do mercado interno vai exigir a importação de commodities, especialmente as agrícolas, enquanto outras, como a do minério de ferro, poderão se reduzir. Já se nota uma queda do preço das commodities, o que poderá ser um grave problema para a contas externas do Brasil, com um aumento do déficit das transações correntes. Este será mais difícil de cobrir do que é hoje com a conta capital, uma vez que diminuirão os investimentos diretos e os empréstimos externos. Esse é o maior perigo para a economia nacional, mesmo com reservas de US$ 350 bilhões.
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