A sobrevivência é o que está em jogo

Práticas sustentáveis agregam valor ao pequeno negócio, que ganha um diferencial frente ao concorrente

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h11

Nunca discutiu-se tanto sustentabilidade e o que é preciso para incorporar a preservação dos recursos naturais ao nosso cotidiano. Por isso mesmo, o presidente do Sebrae Nacional, Luiz Barretto, não tem dúvidas: esse debate passa pela micro e pequena empresa. E além da sobrevivência do planeta, o que está em jogo é o futuro do próprio empreendedor. "Uma padaria sem eficiência energética não é competitiva. Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida por Barretto ao Estadão PME.

O senhor comparou o empreendedorismo verde com a popularização da internet nos anos 90. O que falta para o negócio sustentável explodir como a web?

O uso do celular, da internet, está no cotidiano de todos, mesmo com as diferenças culturais. No caso da sustentabilidade, acredito que precisamos de mudanças de hábitos. Acho que a Rio+20, nesse sentido, cumpre um papel importante pois chama a atenção e acelera esse procedimento. Mas toda a sociedade vai ter um papel fundamental nisso porque o debate da sustentabilidade será o debate do século. O Sebrae acredita que a pequena empresa tem de estar no bojo dessa discussão.

A sustentabilidade hoje é tão importante quanto a inovação para um pequeno negócio?

Uma padaria que não tenha eficiência energética não é competitiva no mercado. Essa eficiência significa maior sobrevivência. Nesse sentido, reutilização de água e reciclagem de materiais são aspectos muito importantes. Se o pequeno chegar antes, pode agregar valor ao seu negócio. Uma pousada que faça uso da energia solar, reutilize a água da chuva e tenha preço semelhante ao da concorrência, será escolhida pelo consumidor. A pauta de inovação não se esgota na sustentabilidade, claro, mas nosso eixo de inovação deve também focar em sustentabilidade.

O que o Sebrae vai fazer para estimular a sustentabilidade?

Temos que certificar o empresário para a gestão ambiental sustentável. O governo federal compra R$ 15 bilhões de pequenas empresas todos os anos e se ele colocar barreiras (para essas compras) na gestão ambiental, os pequenos empresários precisarão de certificação para superá-las.

Em quais regiões a adoção dessas práticas está mais presente nos pequenos negócios?

A velocidade das mudanças não é homogênea e o avanço é maior nas áreas mais desenvolvidas: São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, por exemplo. Isso é normal. O desenvolvimento sempre parte desses centros para o interior do País. Nós do Sebrae temos de trabalhar a partir dessas experiências, sair do eixo Rio e São Paulo. Temos um centro de sustentabilidade em Cuiabá onde tratamos de difundir os casos de sucesso e irradiar boas práticas ambientais. Da mesma forma, precisamos estar atentos para o que ocorre nos setores da economia. O grau de desenvolvimento sustentável da indústria é maior do que no comércio. Há diferenças não apenas nas regiões do País, mas também nos setores da economia.

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