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'A TAP é uma grande empresa brasileira'

Para o executivo, levando em conta os negócios que a aérea traz para o País, empresa pode ser considerada brasileira

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2012 | 03h05

Passados quase 12 anos de sua chegada a Portugal para recuperar a combalida companhia aérea estatal TAP, o gaúcho Fernando Pinto ainda não se sente pronto para deixá-la, mesmo depois de tirá-la da berlinda. O executivo, que já comandou a Varig, cruzou o Atlântico em 2000 com a missão de privatizar a TAP. Foi contratado pela Swiss Air, vencedora da disputa feita na época. Envolta em problemas financeiros, a nova dona desistiu do negócio. Em 2001, os atentados terroristas de 11 de setembro detonaram uma crise no setor aéreo que tornou uma venda inoportuna. Sem poder passar a TAP adiante, investiu na reestruturação da empresa e deixou, por um tempo, a ideia da privatização de lado. Em 2010, quando tentou retomar o processo, a crise econômica já ganhava força. O cenário político era instável e derrubou o governo em 2011. O país ainda enfrenta a crise, mas, agora, em vez de atrapalhar, ela deve ajudar a colocar um ponto final na novela de privatização, disse Pinto ao Estado. A venda da TAP foi uma exigência da Troika (União Europeia, Banco Central Europeu e FMI) para um pacote de socorro a Portugal em 2011.

Por que privatizar?

Há dois fatores. Existe uma norma na Comunidade Europeia que proíbe os governos de colocar capital nas empresas aéreas. Então a TAP tem um problema: é descapitalizada, precisa de capital. E tem uma dívida que é pequena para as dimensões das empresas aéreas, mas é uma dívida adicional para o Estado. Então quando entrou a Troika em Portugal, eles viram que essa situação não fazia sentido.

Até o fim do ano a TAP já estará vendida?

É um processo longo, mas eu diria que ela já terá seu parceiro escolhido e estará no caminho das aprovações da compra.

Você está se reunindo com grupos interessados na TAP?

Obviamente eu converso extra oficialmente com muitos interessados. Não quer dizer que esses interessados serão aqueles que vão fazer propostas. Mas há grupos interessados que querem saber mais sobre a TAP.

São quais grupos?

Melhor não dizer. Mas posso dizer que são vários.

Do Brasil também?

Sim.

Você se reuniu com representantes de Gol, TAM e Avianca?

Não posso falar. Vou esperar ter papel na mão. Conversas informais, existem várias.

O governo português prefere vender a TAP para uma empresa europeia ou não europeia?

Portugal é muito voltado para a lusofonia e para o Brasil, pois é o país irmão que apresenta um crescimento muito forte. Não tenho dúvida de que Portugal veria com bons olhos algum investimento vindo daqui. Essa é minha opinião pessoal.

Houve alguma conversa no âmbito do governo para que o BNDES pudesse incentivar a participação de grupos brasileiros na privatização da TAP?

Correndo algum risco pessoal, poderia dizer que a TAP é uma grande empresa brasileira. É só você imaginar o número de turistas que trazemos para cá e o efeito econômico que ela gera aqui. A TAP consegue viabilizar a multiplicidade de destinos (na Europa). Uma empresa com base só aqui não consegue.

Mas vocês têm negociado com o BNDES?

Não chegamos a isso. Mas o BNDES já mostrou interesse nas outras privatizações. Apenas apontei razões para que tenha interesse também nesta.

Você permaneceria na TAP após a privatização?

Eu gosto muito de Portugal. Mas depende do que aparecer.

Você aceitaria trabalhar em uma empresa brasileira?

Eu acho que vale trazer alguma experiência como executivo lá de fora para cá em conselhos de administração de empresas. Mas voltar a morar no Brasil, eu não sei...

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